Um dos membros da coordenação estadual do MST, Gilmar Mauro, disse ontem em Londrina que a invasão da Fazenda 3J, em Guaravera (zona Sul de Londrina), de propriedade da família do deputado federal José Janene (PP) é consequência da ''incapacidade da Justiça'' em cumprir seu papel. ''Se a Justiça funcionasse, não seria preciso agir assim. No caso deste deputado, são anos e anos de denúncias de corrupção, fartamente demonstradas, e nenhuma providência é tomada para retomar o dinheiro que foi tirado da população. Só em 2003 e 2004, ele comprou 11 fazendas com recursos suspeitos. Queremos que tudo isso seja devolvido'', afirmou.
Gilmar Mauro declarou também que o MST planeja ações semelhantes em propriedades de outros políticos envolvidos em desvio de verba pública. ''É uma estratégia interessante porque tem muitos deputados que aumentam o patrimônio pessoal de forma irregular. É bem possível outras ações desse tipo já que a Justiça só pega ladrão de galinha.''
Sobre o acampamento de membros da Via Campesina a 3 km da propriedade do deputado federal, Abelardo Lupion (PFL), em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), o líder do MST alegou que se trata de medida que visa denunciar o ''lobby'' em favor do ''capital financeiro internacional''.''Além da própria fazenda, que foi doação de uma multinacional, ele está envolvido em outra grave denúncia: o BNDES financiou 88 implementos agrícolas para uma cooperativa da Bahia, e 24 equipamentos foram repassados para o Lupion. A informação é que foi o pagamento do lobby realizado no BNDES.'' Ele não soube informar o nome exato da cooperativa e o valor da negociação.
Gilmar Mauro rechaçou as versões de que o MST está atuando politicamente durante o período eleitoral alegando que o movimento não definiu apoio no primeiro turno. ''Preferimos ficar neutros, até pelo alto grau de despolitização dessas eleições. Não um projeto de verdade para o desenvolvimento do país'', disse. ''Se houver segundo turno, a gente volta a pensar nisso.''
De acordo com o líder sem-terra, 80% dos militantes do MST são eleitores de Lula, 15% de Heloísa Helena e 5% vão optar pelo voto nulo.

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