MST manifesta apoio a Hugo Chávez
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quinta-feira, 02 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi recebido ontem, em Brasília, com uma manifestação de apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Às 11 horas, Chávez era esperado por cerca de 200 manifestantes do MST na frente de um hotel, com faixas que diziam ''contra o golpismo, em defesa da democracia e do povo venezuelano'' e palavras de ordem em favor dele.
Poucos metros da entrada do estabelecimento, mandou parar o carro, saltou e juntou-se aos manifestantes, que pediam autógrafos em bonés do MST, camisetas do PT e pequenas bandeiras da Venezuela. Chávez seguiu a pé, distribuindo apertos de mãos e beijos, sem se importar com a incapacidade da segurança em conter o assédio.
Rodeado por jornalistas, interrompeu várias vezes as respostas com saudações efusivas de ''Viva o Brasil, viva a Venezuela!'', para, logo depois, continuar o discurso: ''Estamos derrotando o golpismo.'' Dos líderes do MST, que conseguiram, por fim, poucos minutos de atenção, ouviu frases de solidariedade e respondeu com estímulo à causa dos sem-terra. ''Chávez foi eleito democraticamente, segue a Constituição do país e não adotou nenhuma medida autoritária. Estamos indignados com essa tentativa de golpe'', disse o membro da coordenação nacional do MST João Paulo Rodrigues.
Chávez fez um discurso contundente contra os setores oposicionistas que ameaçam a continuidade do governo dele. Chávez declarou que enfrenta um ''golpe de Estado disfarçado de greve geral'' no país. Repetidas vezes, agradeceu o apoio político e a colaboração do governo brasileiro, que enviou na última semana um navio carregado com 600 mil barris de gasolina para contornar a crise local de abastecimento.
A Venezuela vive uma das piores crises política e econômica da história recente do país. Anteontem, setores oposicionistas alertaram que manterão a greve geral no início de ano - fato que dificulta o diálogo de conciliação com o governo em torno do calendário eleitoral. O país enfrenta queda acentuada da atividade econômica, agravada com paralisação no setor petroleiro, a escalada da inflação - de 29,9% de janeiro a novembro - e uma taxa de desemprego de 17% da População Economicamente Ativa (PEA).
Ainda em meio a manifestantes do MST, Chávez declarou que as relações entre o Brasil e a Venezuela deverão se estreitar ainda mais na gestão de Lula e classificou o programa prioritário do novo governo brasileiro, o Fome Zero, como uma ''maravilha'' e um exemplo a ser reproduzido na Venezuela, no restante da América Latina, no Caribe e na África.
Chávez lembrou-se de ''outro Inácio, também pernambucano'', que está ligado à história venezuelana. Conforme contou, José Inácio Abreu de Lima lutou ao lado do libertador da Venezuela, Simon Bolívar, nas primeiras décadas do século 19. ''José Inácio é um herói na Venezuela, acompanhou Bolívar até sua morte e, quando voltou a Pernambuco, trouxe consigo a semente bolivariana'', afirmou.


