Cerca de 700 (seriam cerca de 200, segundo a Polícia Militar) integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã de ontem, a Fazenda 3 Jota, de propriedade da mulher do deputado federal José Janene (PP-PR), Stael Fernanda Janene, que fica no distrito rural de Guaravera (a cerca de 40 km ao sul de Londrina). A ação aconteceu por volta das 5h30 e, segundo lideranças do movimento, foi pacífica. ''Tinham duas famílias tomando conta da fazenda e eles saíram sem problema algum'', afirmou o líder da ocupação e membro da coordenação estadual do MST, José Damaceno.
Segundo garantiu o líder, a ação tem dois objetivos: denunciar a corrupção e cobrar das autoridades que seja devolvido, através da reforma agrária, o dinheiro usado para compra da propriedade. ''Segundo denúncias da própria imprensa nacional e investigações das CPIs, o deputado tem dez fazendas adquiridas com dinheiro do povo. Nós então estamos ajudando o governo federal a devolver esse dinheiro através de terra'', argumentou.
Ele ainda explicou que a iniciativa foi estratégica e vem sendo articulada desde quando começaram a ser divulgadas as primeiras denúncias e pedidos de cassação de Janene. ''Mas como tudo tem seu tempo, esperamos a hora certa para nos movimentarmos. Agora queremos reaquecer esta discussão da cassação dele que já estava sendo esquecida'', justificou.
Damaceno garantiu que a iniciativa não tem finalidade eleitoreira. Afirmou ainda, que a escolha desta propriedade de José Janene se deu por ela ser ''um símbolo do enriquecimento ilícito do deputado, no próprio reduto eleitoral dele''.
O líder do MST justificou a ação do movimento: ''Fizemos isto neste momento, porque o fruto da corrupção dele (de Janene) é o nosso objeto de luta, a terra''. Damaceno garantiu que outras ocupações em propriedades do deputado federal podem ser realizadas. ''Queremos assentar 100 famílias. Se não couber aqui, sabemos que a três quilômteros tem outra propriedade dele'', afirmou.
A Fazenda 3 Jota, segundo informações do próprio MST, tem 192 hectares. A principal atividade é a criação de 2 mil cabeças de ovinos. A sede é ampla, tem playground e piscina. ''A casa é grande e bem luxuosa, mas vamos transformar em uma escola para os assentados'', revelou outra liderança da ocupação e membro da direção estadual, Ângela Costa.
Ela confirmou a intenção de transformar a fazenda em assentamento. Contou que entre os trabalhadores sem-terra que participaram da ocupação há professores das escolas móveis do MST e profissionais técnicos de saúde. ''Vieram pessoas de assentamentos e ocupações de cinco regiões do Paraná. De cada uma foi trazido lona e alimentos até que possamos nos organizar aqui'', explicou.
Janene disse que ingressaria ontem mesmo na Justiça com um pedido de reintegração de posse da área. Ele reagiu à invasão tachando os integrantes do MST de ''bandidos''. ''Não tem motivação social a não ser dar conotação política. Isso mostra que está deixando de ser um movimento social para ser um movimento terrorista'', declarou Janene. (Com Folhapress)

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