Curitiba - As concessionárias de pedágio vão acionar na Justiça, nesta semana, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que promoveu invasões-relâmpago em nove praças de pedágio no último sábado. Segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), os funcionários foram expulsos das cabines e houve depredação e violência durante as ocupações. A Secretaria de Segurança anunciou a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pelas ações.
A manifestação envolveu, segundo a ABCR, cerca de 300 integrantes do MST, que voltavam em um comboio de nove ônibus de um congresso estadual do movimento, em São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu). As praças eram ocupadas por, pelo menos, meia hora e desocupadas em seguida.
A primeira invasão foi pouco depois das 15 horas de sábado, na praça de Céu Azul, da Rodovia das Cataratas, na BR-277. De acordo com a ABCR, os manifestantes quebraram cancelas e câmeras de segurança e liberaram a passagem de veículos por quase uma hora. Eles também pegaram galões de tinta que encontraram no local e pintaram palavras de ordem nas cabines.
Em seguida, o comboio invadiu a praça de Cascavel, onde os sem-terra liberaram as cancelas por meia hora. Também foram ocupadas as praças da concessionária em Laranjeiras do Sul, Candói e Guarapuava, todas da Rodovia das Cataratas.
A partir daí, o comboio se dividiu. Duas praças da Viapar foram invadidas, em Corbélia e Campo Mourão. A série de invasões seguiu pela noite, passando pelas praças da Caminhos do Paraná, em Relógio e Irati.
O diretor regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, atribui as manifestações de sábado à demora da desocupação da praça de São Luiz do Purunã, na BR-277 na semana passada. A praça, da Rodonorte, foi tomada por manifestantes do Movimento de Usuários de Rodovias Brasileiras (Murb) na quarta-feira da semana passada. Apesar da reintegração de posse determinada pela Justiça estadual de Ponta Grossa, a Polícia Militar (PM) não foi acionada. A Secretaria de Segurança alega não ter sido notificada. Os manifestantes só deixaram o local por conta própria na última sexta-feira, por causa de uma nova determinação, desta vez da Justiça Federal, que mandava a Polícia Federal cumprir a ordem.
As concessionárias vão decidir hoje que medidas judiciais serão tomadas contra o MST. Segundo a ABCR, os ônibus e os líderes das ações estão sendo identificados e os prejuízos, ainda não totalizados, serão cobrados. Todas as praças invadidas já tinham conseguido na Justiça interditos proibitórios contra o Murb e o MST. Os interditos prevêem multa para os ocupantes.
Um dos líderes do MST no Paraná, José Damasceno, não quis comentar as ocupações e disse que o movimento só teria uma posição oficial hoje. Damasceno afirmou não saber de nada e que não havia programação de ocupações antes de sábado.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança, o secretário Luiz Fernando Delazari determinou a abertura de inquérito para apurar as responsabilidades pelas ocupações. A secretaria alega que as invasões foram muito rápidas para que a PM pudesse ter sido encaminhada para as praças.

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