BRASíLIA - O sucesso da marcha dos sem-terra entusiasmou o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a articular sua candidatura à presidência da República em 1998. ‘‘Depois dos sem-terra virão os sem-emprego, num enorme movimento social de oposição’’, aposta Lula. ‘‘Fernando Henrique disputará sua reeleição em condições piores, com menos chances do que as de 1994’’.
Nem a estabilidade da economia, que foi o grande cabo eleitoral de Fernando Henrique há três anos, assusta mais o petista. ‘‘Não dá para inventar outro Plano Real e sair montado nele em campanha’’, disse Lula. ‘‘O governo vai se desgastar e será cobrado por tudo o que não fez no primeiro mandato.’ A estratégia esboçada por Lula é de reforçar os movimentos sociais de protesto e enquadrar a direção do PT para evitar o isolamento político.
‘‘Nosso forte sempre foi a mobilização e a organização social e não as eleições parlamentares’’, reconhece. ‘‘Dentro de alguns meses os desempregados estarão fazendo acampamentos nas praças e avenidas dos grandes centros para expor uma realidade escondida.’ A caravana de desempregados que a CUT trouxe a Brasília, para apoiar a marcha dos sem-terra, seria o embrião do novo movimento.
Lula confia tanto em sua estratégia que já descartou as alternativas de apoiar as candidaturas do ex-presidente Itamar Franco (sem partido) ou do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). ‘‘Itamar só teria viabilidade se fosse adotado pelo PMDB, mas nesse partido ninguém se entende.’ Ciro Gomes já disse a Lula que será candidato a deputado federal. Além disso, não tem a confiança da direção petista.

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