MST estimula Lula a pensar na Presidência
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - O sucesso da marcha dos sem-terra entusiasmou o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a articular sua candidatura à presidência da República em 1998. Depois dos sem-terra virão os sem-emprego, num enorme movimento social de oposição, aposta Lula. Fernando Henrique disputará sua reeleição em condições piores, com menos chances do que as de 1994.
Nem a estabilidade da economia, que foi o grande cabo eleitoral de Fernando Henrique há três anos, assusta mais o petista. Não dá para inventar outro Plano Real e sair montado nele em campanha, disse Lula. O governo vai se desgastar e será cobrado por tudo o que não fez no primeiro mandato. A estratégia esboçada por Lula é de reforçar os movimentos sociais de protesto e enquadrar a direção do PT para evitar o isolamento político.
Nosso forte sempre foi a mobilização e a organização social e não as eleições parlamentares, reconhece. Dentro de alguns meses os desempregados estarão fazendo acampamentos nas praças e avenidas dos grandes centros para expor uma realidade escondida. A caravana de desempregados que a CUT trouxe a Brasília, para apoiar a marcha dos sem-terra, seria o embrião do novo movimento.
Lula confia tanto em sua estratégia que já descartou as alternativas de apoiar as candidaturas do ex-presidente Itamar Franco (sem partido) ou do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Itamar só teria viabilidade se fosse adotado pelo PMDB, mas nesse partido ninguém se entende. Ciro Gomes já disse a Lula que será candidato a deputado federal. Além disso, não tem a confiança da direção petista.


