MST está disposto a participar de pacto
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quarta-feira, 06 de novembro de 2002
Angela Lacerda<br> Agência Estado 
Caruaru - O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Jaime Amorim, disse ontem que o movimento aceita e está disposto a participar das conversações visando a um pacto social com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, desde que a pauta inclua a reforma agrária e a agricultura. Amorim está reunido com todos os líderes nacionais e regionais do MST desde segunda-feira em Caruaru, no agreste pernambucano, discutindo o posicionamento a ser adotado pela organização no futuro governo Lula. ''Trabalhamos em uma faixa restrita e a nós interessa efetivamente a questão emergencial da reforma agrária e da agricultura'', afirmou ele.
Amorim disse não ter muito claro o que significa o pacto social. ''O importante é que o governo tem que buscar dentro da aliança que o elegeu a possibilidade de governar, levando-se em consideração também que o governo é de todos os brasileiros'', afirmou.
Ele disse que o resultado da reunião não deverá ser levado para o pacto, caso o MST venha a participar das conversações. ''Essa reunião é muito mais para nos entendermos internamente do que uma pauta de negociação''.
Para o integrante da direção do MST, Jaime Amorim, é viável o assentamento imediato das 100 mil famílias acampadas em todo o País - 15 mil em Pernambuco -, porque em todos eles já há negociação com o Incra. Seria preciso, de acordo com ele, a revogação da lei que impede vistoria em terras ocupadas e determinação do novo governo. ''O custo é pouco e a reforma agrária enfrenta de uma só vez a fome, o desemprego e a violência'', defendeu.
Acampadas há quatro anos na Fazenda Borba, uma área seca no município de Caruaru, no agreste pernambucano, 41 famílias sem-terra aguardam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atenda à principal exigência do MST, de assentar de imediato as 100 mil famílias de acampados. ''Seria muito bom para nós, vamos ver se as coisas mudam com o homem'', afirmou Zenaide Bezerra da Silva, 40 anos, separada, quatro filhos, que depois de 15 dias sem comer feijão, havia conseguido uma porção ontem para oferecer às crianças, esmolando em povoados vizinhos.
O acampamento Borba - que está em processo de desapropriação - fica no distrito de Cachoeira Seca, a poucos quilômetros do Assentamento Normandia, onde os dirigentes nacionais e regionais do MST estão reunidos. Os acampados da Fazenda Borba comem uma ou duas vezes por dia. Atualmente nenhum deles é beneficiado com programas do governo federal. Com a falta de chuva, eles nem chegaram a plantar - também não receberam sementes.


