Garanhuns, PE - O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a Contag (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura) declararam ontem, em Garanhuns (235 km de Recife), estar dispostos a ''sair às ruas'' para defender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa eventual tentativa da oposição de retirá-lo do poder. Em discursos feitos no palanque, ao lado de Lula, dirigentes nacionais das duas maiores entidades de apoio aos sem-terra e pequenos agricultores do país responsabilizaram as ''elites'' pela pressão contra o governo.
''Temos um compromisso de não deixar que esse momento histórico descambe água abaixo porque as elites tentam impedir que esse processo continue'', afirmou o líder do MST de Pernambuco Jaime Amorim. ''Não vamos deixar a bandeira da ética ser usada por quem representa o atraso, pela direita'', disse. ''Se for preciso, presidente Lula, vamos às ruas defender as bandeiras da ética, contra a corrupção e pela reforma agrária.''
Discurso semelhante foi feito pelo presidente da Contag, Manoel Santos. Ele defendeu o afastamento dos ''envolvidos em procedimentos ilícitos'' e afirmou que os aliados ''não podem entrar nesse cortina de fumaça erguida pela oposição''. ''Nós não vamos para a rua porque já estamos na rua para defender esse presidente'', afirmou Santos. ''O povo está dizendo que Lula é o presidente que ele quer agora e quer depois.''
Amorim e Santos apoiaram o Plano Safra da Agricultura Familiar, lançado ontem por Lula em Garanhuns. O plano prevê a liberação de R$ 9 bilhões para agricultores familiares e assentados até junho do próximo ano.
No Plano Safra 2004-2005, foram disponibilizados R$ 7 bilhões. Os recursos, segundo o governo, beneficiaram 1,57 milhão de famílias que vivem no campo. Em seu discurso, Lula disse que, além de aumentar os valores disponíveis, melhorou a distribuição do dinheiro. ''Antes do nosso governo, 80% dos recursos iam para a região Sul do Brasil.''

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