Cuiabá - A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Mato Grosso afirmou ontem que seus líderes, responsáveis por invasões de fazendas, estão com ''a cabeça a prêmio'' por R$ 50 mil cada um no Estado. O preço por sem-terra morto teria sido fixado por fazendeiros durante uma reunião na semana passada em Cáceres (250 km de Cuiabá).
Um simpatizante do MST presente à reunião teria passado as informações para o movimento.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), o deputado estadual Zeca D'Ávila (PFL), disse que ele recebeu ameaças de morte, na semana passada por meio de dois telefonemas, de um homem que se identificou como membro do MST.
''Estão com pretexto para encobrir a ameaça que eles fizeram para mim'', afirmou D'Ávila sobre a informação do MST de que os fazendeiros teriam encomendado assassinatos de sem-terra.
Os líderes dos sem-terra devem pedir proteção à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Segundo o coordenador estadual do MST, Vanderli Scarabeli, 29, fazendeiros contrataram empresas de segurança no Pará e no Paraná para proteger as propriedades e matar sem-terra.
Na quinta-feira passada, o delegado Henrique Meneguelo, da Polícia Civil, encontrou 11 seguranças na fazenda São Francisco em Rondonópolis (218 km de Cuiabá). Um deles tinha um revólver calibre 38. A polícia apreendeu a arma. Não houve prisão. A propriedade tinha sido invadida pelo MST que alegava estar em uma área devoluta da União. A Polícia Militar despejou os sem-terra na sexta-feira.
Na versão do líder do MST em Rondonópolis, Daniel Fernandes, fazendeiros estariam dispostos a pagar R$ 150 mil pelo assassinato do sem-terra Missael Barreto, que lidera uma invasão na fazenda São Paulo, em Mirassol do Oeste (329 km de Cuiabá).
Proprietário da fazenda invadida há mais de um ano, o pecuarista Paulo Mendonça, 69, nega que existam seguranças contratados por fazendeiros na região.

mockup