MST diz que famílias não deixarão invasões
Arquivo FolhaNada feitoRogério Mauro: Não há motivo para cumprir as reintegraçõesO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) garantiu ontem que as famílias que o governo do Estado do Paraná pretende despejar não sairão das áreas ocupadas porque não têm para onde ir. Qual é a alternativa de emprego que o Estado oferece? E a alternativa para os pequenos agricultores? Enquanto não se oferece nada para o povo, que está inclusive morrendo de fome, as ocupações de terra são alternativa porque, nos assentamentos, minimamente conseguimos comer e produzir básico, justificou.
Mauro afirmou que não há motivo para o governo do Estado cumprir as reintegrações de posse porque todas as áreas ocupadas já estão sendo negociadas, ou com decreto, ou em vias de desapropriação.
Ele disse não entender a razão de o governo falar em despejo antes de consultar os trabalhadores e suas famílias. O MST sempre esteve aberto ao diálogo e às conversas. Tanto que, do ano passado para cá, promovemos 28 desocupações em acordo com o Incra e o governo do Estado, argumentou.
O dirigente do Movimento disse lamentar que o governador do Estado Jaime Lerner, que se diz uma pessoa séria, esteja se dobrando à pressão dos latifundiários, dos ruralistas, que só defendem seus interesses e não os de uma sociedade que anseia por mudanças.
Segundo levantamento do MST, existem hoje 160 assentamentos regularizados no Paraná, com 12 mil famílias e outras 90 propriedades, com 10 mil famílias, estão em processo de desapropriação. Um levantamento de 96 mostrou que o Paraná tem 305 mil famílias sem-terra. O número de ocupações é insignificante frente à demanda, afirmou. O Paraná é o estado com maior índice de ocupações do País. (P.Z)





