Curitiba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu novas invasões às praças de pedágio na madrugada de ontem. Depois de ter invadido e depredado nove praças das concessionárias Rodovia das Cataratas e Viapar no último sábado à tarde e à noite, quando retornavam de um congresso em São Miguel do Iguaçu, ontem o movimento voltou seus esforços contra quatro praças da Rodonorte localizadas em São Luiz do Purunã, Ortigueira, Tibagi e Imbaú.
Cerca de 50 sem-terra participaram das invasões. O modus operandi foi similar ao das invasões anteriores: os manifestantes levantaram as cancelas do pedágio e depredaram câmeras de segurança e equipamentos de cobrança da concessionária.
Ontem, representante das concessionárias reuniram-se para estudar uma estratégia jurídica comum contra o MST. Todas as empresas já possuíam interditos proibitórios que proibiam a aproximação de manifestantes do MST nas praças. De acordo com a assessoria da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, todas as medidas judiciais possíveis serão tomadas para o ressarcimento dos danos causados pelo MST, tanto morais como materiais.
A ABCR acusa também a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) de ser conivente com as depredações promovidas pelos sem-terra. A Rodonorte informou ontem que a polícia foi acionada na sexta-feira assim que os rumores das invasões chegaram à empresa. Entretanto, nenhum reforço policial foi enviado para as praças. Para impedir mais depredações, as concssionárias estão recorrendo à Justiça Federal, que pode determinar as desocupações com o auxílio da força da Polícia Federal.
Por meio de uma nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que inquérito policial será instaurado para apurar as responsabilidades de ''frequentes ações de depredações de praças de pedágio no Paraná''. Ainda conforme a Sesp, de acordo com os registros, nove praças (São Luís do Purunã, Tibagi, Imbaú, Candói, Laranjeiras do Sul, Guarapuava, Cascavel, Céu Azul e Ortigueira) foram depredadas em ações rápidas e orquestradas.
''A Secretaria reafirma mais uma vez que este governo respeita o direito de livre manifestação dos movimentos organizados. Entretanto, qualquer ação que coloque em risco o patrimônio de cidadãos ou a vida de pessoas será apurada com rigor pela polícia e os líderes serão devidamente responsabilizados'', diz a nota. A Folha procurou, por telefone, lideranças do MST em Curitiba, mas ninguém foi localizado e não houve retorno das ligações.

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