MST denuncia milícia armada à CPI da Terra
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quarta-feira, 02 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os conflitos agrários no Paraná fez ontem uma série de deliberações e resolveu pedir a relação de todos os inquéritos da Polícia Federal (PF) que apuram a existência de milícias armadas no campo. A denúncia foi feita por um dos coordenadores estaduais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Roberto Baggio. Para o presidente da CPI da Terra, Élio Rusch (PFL), as denúncias vão de encontro aos depoimentos prestados anteriormente por proprietários de terra, fazendeiros, administradores e arrendatários. ''Os depoimentos são divergentes. Teremos que trabalhar com cautela para investigar os fatos'', disse o parlamentar.
A CPI ainda solicitou todas as notificações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Renováveis (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) contra o MST por depredação de áreas de preservação permanente. Baggio informou que existem no Brasil 342 mil propriedades e que 61% delas estão nas mãos de 26 mil grandes proprietários. No Paraná, de acordo com ele, existem 270 assentamentos de sem-terra e 45 acampamentos. Os acampamentos, áreas de ocupação, têm mais de 10 mil famílias provisoriamente instaladas. Fitas de vídeo produzidas pelo governo do Paraná sobre o MST foram exibidas por Baggio para tentar comprovar que os assentamentos dão certo. ''Se a elite brasileira quer destruir o MST é só fazer a reforma agrária, porque esse é o objetivo do nosso movimento'', disse Baggio.
Os deputados decidiram que irão fazer visitas aos assentamentos existentes no Paraná. A intenção é ver o funcionamento dos locais onde os sem-terra já receberam infra-estrutura para plantar e criar animais. Os parlamentares se comprometeram ainda a pedir um levantamento completo dos devedores do Banestado e que possuem terras no Paraná para tentar agilizar o processo de aquisição de novas terras no Estado. Também serão solicitados dados do Banco do Brasil (BB) dos grandes devedores de crédito rural no Paraná. ''Vamos auxiliar o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a buscar novas terras para assentamento das famílias. Inclusive de produtores que têm áreas produtivas e têm interesse de vendê-las'', disse o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que entrou ontem na CPI no lugar da deputada estadual Luciana Rafagnin (PT).
Para o dia 9, foram reconvocados integrantes do MST que não compareceram em convocações anteriores: Pedro Alves Cabral e José Delfino Becker, ambos de Querência do Norte. Também deverá ser ouvida Marly Brambila, da Cooperativa Agrícola de Querência do Norte (113 km de Paranavaí). Foram deliberadas as convocações, ainda sem data marcada, do secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann; de diretores da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep); do presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet; e do superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda.


