MST ajudará campanha de Lula fazendo ocupações
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pretende fazer campanha para o candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), promovendo mais ocupações de terra. A estratégia foi anunciada em Vitória por um dos coordenadores nacionais da entidade, Gilmar Mauro, para quem esta é a melhor maneira de o movimento demonstrar suas diferenças com o governo Fernando Henrique Cardoso. Vamos fazer campanha como, batendo de porta em porta?, ironizou. Vamos fazer o que sabemos: ocupar terras nos quatro cantos do Brasil para mostrar que Fernando Henrique não fez a reforma agrária.
Na avaliação de Gilberto Mauro, o uso político-partidário do principal instrumento de luta do MST não deverá comprometer a autonomia do movimento. O movimento não pode ficar atrelado a um partido, mas ruim seria ficar em cima do muro num momento histórico como esse, argumentou. Jaime Amorim, outro líder nacional do MST, negou que as invasões tenham como objetivo principal a campanha do PT, mas admitiu que a candidatura Lula seria favorecida. Quanto mais gente nós organizarmos para o trabalho mais gente vai votar em Lula, afirmou.
O anúncio sobre o uso das ocupações na campanha eleitoral foi feito por Mauro no discurso de abertura, anteontem à noite, do 9º Encontro Nacional do MST, na Universidade Federal do Espírito Santo. A reunião termina amanhã. Por que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) pode declarar apoio ao Fernando Henrique e o MST não pode fazer campanha para Lula?, questionou o coordenador aos 1.200 delegados do encontro. Podem tentar nos dividir, mas não vão conseguir, porque nosso objetivo é derrotar esse capitalismo e construir uma sociedade socialista.
O apelo à unidade é um dos motes da direção nacional do MST nesse encontro, pois está preocupada em acabar com o mal-estar criado quando um dos líderes mais conhecidos do movimento, José Rainha Jr., declarou ser contrário à decisão da entidade de apoiar oficialmente a candidatura Lula.
Gilmar Mauro reconheceu que, apesar de o apoio ter sido definido nas instâncias estaduais do MST, não é unânime nos acampamentos.
Há pessoas novas, que acabaram de se juntar a nós nos acampamentos, que não são eleitores do Lula nem mesmo politizadas, admitiu. Mauro não acredita, no entanto, que a campanha presidencial possa rachar as bases: votar em Lula, disse, é uma orientação do MST, mas não uma obrigação do militante. (AE)





