MS antecipa-se e organiza para este ano cumprimento a exigência
O Mato Grosso do Sul deverá adequar-se à Lei Camata - que limita o gasto com folha de pagamento a 60% das receitas líquidas dos Estados - até o final do ano, antecipando-se ao prazo prorrogado neste mês pela Câmara dos Deputados. A informação foi dada à Folha pelo secretário de Estado das Finanças do Mato Grosso do Sul, o londrinense Paulo Bernardo.
Segundo ele, o estado gastava, no governo anterior, 73% de suas receitas líquidas com a folha dos cerca de 50 mil servidores públicos, de R$ 32 milhões. Mas o aumento da arrecadação, aliado a programas de combate à sonegação e controle de gastos públicos, de acordo com Bernardo, permitirá redução do custo com o pagamento de pessoal.
Bernardo disse que a arrecadação do Mato Grosso do Sul cresceu 25,5% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Se a referência for dezembro de 98, o aumento na receita chegou a 57,7%. Os números foram apresentados recentemente pelo governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, em Brasília.
A arrecadação do Estado estava estimada em R$ 75 milhões no mês passado e em R$ 80 milhões em maio, segundo o secretário. Ele disse que não houve aumento de impostos e sim o desenvolvimento, nestes 120 dias de governo, de programas de combate à sonegação. Ao invés de impostos, muitos empresários pagavam caixinha a funcionários do Estado na administração anterior. E essa corrupção nos foi relatada pelos próprios empresários, durante várias reuniões.
Ele informou que os setores que estão mais arrecadando atualmente são o da carne, o de bebidas e de medicamentos. O Estado está iniciando o processo de informatização para aumentar o controle no combate à sonegação fiscal.
Paulo Bernardo disse que o incremento no volume da arrecadação nos meses de abril e maio também tem relação com o pico da safra. A partir deste mês, a tendência é de que haja uma estabilização em 75 milhões por mês.
Os recursos também estão sendo usados para pagar dívida herdada do governo anterior que, segundo o secretário das Finanças, chegou a R$ 600 milhões. De acordo com Bernardo, houve acordo com fornecedores para garantir descontos de 40% a 50% no total dos débitos. As quatro folhas de pagamento em atraso também foram negociadas com o funcionalismo. Os servidores com salários menores receberão nos próximos 60 dias. Quem ganha mais terá de esperar até dezembro para receber os atrasados.
E isso só está sendo possível porque, não só aumentamos a arrecadação como estamos fazendo uma verdadeira cruzada para economizar, afirmou. Segundo ele, o corte de despesas de custeio chega a 60% em alguns casos. Baixamos o consumo de luz, água, viagens e telefone, exemplificou. Uma junta financeira, formada por técnicos das secretarias da Fazenda, do governo e da Administração controla, semanalmente, os gastos das secretarias e também tem o poder de desautorizar compras.
A busca pelo controle do déficit irá adiar para o início do próximo ano alguns programas de governo. Mas alguns importantes da campanha do PT serão lançados em breve como o bolsa-escola, no próximo mês, adianta. O projeto do Banco do Povo, para financiar micros e pequenos empresários, de acordo com o secretário, já está pronto.





