Curitiba - Procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) protocolaram ontem, na Justiça Federal do Paraná, um recurso de apelação referente à ação penal sobre os crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e operação irregular de instituição financeira realizadas pela doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama e seus subordinados relacionados às investigações da Operação Lava Jato. No pedido feito à 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, o MPF ressalta estar "inconformado com a sentença".
O MPF "requer que, após o conhecimento do recurso, seja feita a intimação para apresentação das razões recursais e, posteriormente, após apresentadas as contrarrazões recursais, sejam os autos remetidos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4) para o devido reexame", diz um trecho do pedido assinado pelos procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima e Diogo Castor de Mattos.
Em decisão proferida no dia 22 de outubro, o juiz Sérgio Moro condenou Nelma a 18 anos de prisão em regime fechado e pagamento de multa de R$ 1,8 milhão pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, operação irregular de instituição financeira e formação de quadrilha. Iara Galdino da Silva, "braço-direito" de Nelma, foi condenada a 11 anos e nove meses de reclusão em regime fechado e multa de R$ 521,1 mil. As duas estão presas na Penitenciária Feminina de Piraquara, entretanto outros réus do processo tiveram suas condenações revertidas para serviços comunitários e prestações pecuniárias. São eles: Maria Dirce Penasso (mãe de Nelma), Juliana Cordeiro de Moura, Faiçal Mohamed Nacirdine, Rinaldo Gonçavelves Carvalho e Luccas Pace Junior. Cleverson Coleho de Oliveira foi condenado a cinco anos e dez meses de reclusão no regime semiaberto. João Huang, que está foragido, teve seu processo desmembrado dos demais.
Nenhum dos procuradores atendeu as ligações feitas pela reportagem. As defesas dos réus também já recorreram da sentença do juiz.

mockup