MPF rechaça em nota acordo coletivo com empreiteiras
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terça-feira, 09 de dezembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Os procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que estão à frente das investigações da Lava Jato, reforçaram que não pretendem fechar um acordo coletivo com as empreiteiras citadas na sétima fase da operação. Em nota oficial, o órgão deixa claro que "a proposta de acordo coletivo com todas as empreiteiras foi desde logo, e sempre, rechaçada por todos os procuradores integrantes da força tarefa, porque é moralmente inaceitável e não atende ao interesse público".
A manifestação do MPF ocorreu em resposta à reportagem publicada pela revista Istoé no último final de semana. A publicação, com o título "As articulações de Janot que podem livrar o governo", cita encontros do procurador-geral da República com advogados dos executivos que estão presos na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Estas reuniões (quatro ao todo), ressalta a revista, teriam acontecido entre o mês de maio até a véspera das prisões dos representantes das empreiteiras, no dia 14 de novembro. O objetivo das conversas, segundo a publicação, seria o de buscar um acordo dentro da Lava Jato.
"A colaboração premiada é uma técnica especial de investigação e deve ser vista sob a ótica do interesse da sociedade, ou seja, baseada na confissão integral dos fatos criminosos, na entrega de provas, pessoais e materiais, desses crimes e de outros ainda desconhecidos, e no pagamento de multas. O acordo almejado pelas construtoras jamais atenderia esses pressupostos", reforçaram os procuradores do MPF.
O órgão ainda completa, destacando que "a força-tarefa reitera o seu compromisso com a luta contra a criminalidade de colarinho branco que se apossou do patrimônio do povo brasileiro, reafirmando sua atuação firme para a punição dos culpados e o ressarcimento total dos danos".
DENÚNCIAS
A expectativa é de que ao menos os 11 executivos que seguem presos, além do ex-diretor da Petrobras Renato de Souza Duque e Fernando Soares, lobista e operador do esquema, sejam denunciados pelo MPF. O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa também devem ser denunciados. Eles deverão responder por fraudes em licitação, desvios de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e organização criminosa.
PEDIDO
A defesa dos executivos da OAS S.A., que seguem presos na carceragem da PF, protocolou ontem uma petição na Justiça Federal do Paraná, solicitando acesso aos depoimentos prestados no âmbito da delação premiada efetuada por Pedro José Barusco Filho, ex-gerente da Petrobras, bem como ao seu termo de homologação. Barusco, segundo as investigações, seria subordinado a Renato Duque dentro da estatal petrolífera. Conforme a petição dos advogados da empreiteira, o conteúdo do acordo de delação foi "utilizado como fundamento à custódia dos requerentes", ou seja, para pedir a prisão dos executivos. O juiz Sérgio Moro ainda não acatou o pedido.


