O procurador da República na Bahia, Paulo Queiróz, encaminhou ontem à Rádio Subaé, de Feira de Santana (BA), um ofício requisitando a fita com a gravação de uma entrevista do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) dada à emissora na semana passada. Na entrevista, mesmo sem citar a palavra, ACM chamou o presidente Fernando Henrique Cardoso de ladrão. ‘‘Vou percorrer todo o Brasil para não deixar esse Fernando Henrique roubar em paz.’’ No mesmo dia, ao perceber a intenção do presidente de processá-lo, ACM recuou e disse que não teve a intenção de chamar FHC de ladrão.
Além da fita, o procurador vai juntar juntar com recortes de jornal com as declarações de ACM. O material será usado como prova para ilustrar as duas representações movidas pelo presidente contra o ex-senador baiano por difamação. A Procuradoria-Geral da República de Brasília, encaminhou o caso para a seccional de Salvador pelo fato de ACM ter domicílio eleitoral e dado as declarações na capital baiana.
Fernando Henrique Cardoso também quer que ACM prove que ele coordenava um ‘‘caixa 2’’ na campanha reeleitoral de 1998. Ainda na semana passada, Antonio Carlos Magalhães disse que o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Pereira Caldas, pediu dinheiro para empresários em nome do presidente.
‘‘Quero ver o presidente desmentir para eu citar os nomes dos empresários’’, insistiu ACM, que renunciou ao mandato para evitar a abertura de um processo de cassação por falta de decoro parlamentar pela violação do painel de votação do Senado.
De acordo com a Procuradoria da República na Bahia, as duas representações do presidente serão transformadas em ações penais quando chegarem à Justiça. Ele deve encaminhar as representações à Justiça até o final da próxima semana.
As ações contra ACM foram abertas a pedido do ministro da Justiça, José Gregori. O ministro contatou diretamente o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que repassou o pedido ao procurador-chefe na Bahia, Cláudio Alberto Gusmão Cunha.
O procurador Cláudio Gusmão informou na semana passada que as ações de FHC contra ACM deverão ser julgadas em primeira instância até o final deste ano. Mas não há previsão de julgamento definitivo – quando não houver mais possibilidades de recurso.
Os ataques do ex-senador contra o presidente se tornaram mais frequentes após a renúncia de ACM ao cargo de senador da República, duas semanas atrás. Ex-aliado de FHC, Antonio Carlos foi acusado de ter participado da violação do painel eletrônico da Casa na cassação de outro ex-senador, Luiz Estevão (sem partido-DF), em junho do ano passado. Na época, ACM era presidente do Senado.
Para fugir de uma provável cassação e perda dos direitos políticos por oito anos, ACM renunciou ao cargo, assim como o ex-líder de FHC no Senado, José Roberto Arruda (sem partido-DF), que também confessou ter tido acesso a lista de votação da cassação de Estevão.

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