MPF quer fita com acusações de ACM
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de junho de 2001
Das Agências De Salvador 
O procurador da República na Bahia, Paulo Queiróz, encaminhou ontem à Rádio Subaé, de Feira de Santana (BA), um ofício requisitando a fita com a gravação de uma entrevista do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) dada à emissora na semana passada. Na entrevista, mesmo sem citar a palavra, ACM chamou o presidente Fernando Henrique Cardoso de ladrão. Vou percorrer todo o Brasil para não deixar esse Fernando Henrique roubar em paz. No mesmo dia, ao perceber a intenção do presidente de processá-lo, ACM recuou e disse que não teve a intenção de chamar FHC de ladrão.
Além da fita, o procurador vai juntar juntar com recortes de jornal com as declarações de ACM. O material será usado como prova para ilustrar as duas representações movidas pelo presidente contra o ex-senador baiano por difamação. A Procuradoria-Geral da República de Brasília, encaminhou o caso para a seccional de Salvador pelo fato de ACM ter domicílio eleitoral e dado as declarações na capital baiana.
Fernando Henrique Cardoso também quer que ACM prove que ele coordenava um caixa 2 na campanha reeleitoral de 1998. Ainda na semana passada, Antonio Carlos Magalhães disse que o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Pereira Caldas, pediu dinheiro para empresários em nome do presidente.
Quero ver o presidente desmentir para eu citar os nomes dos empresários, insistiu ACM, que renunciou ao mandato para evitar a abertura de um processo de cassação por falta de decoro parlamentar pela violação do painel de votação do Senado.
De acordo com a Procuradoria da República na Bahia, as duas representações do presidente serão transformadas em ações penais quando chegarem à Justiça. Ele deve encaminhar as representações à Justiça até o final da próxima semana.
As ações contra ACM foram abertas a pedido do ministro da Justiça, José Gregori. O ministro contatou diretamente o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que repassou o pedido ao procurador-chefe na Bahia, Cláudio Alberto Gusmão Cunha.
O procurador Cláudio Gusmão informou na semana passada que as ações de FHC contra ACM deverão ser julgadas em primeira instância até o final deste ano. Mas não há previsão de julgamento definitivo quando não houver mais possibilidades de recurso.
Os ataques do ex-senador contra o presidente se tornaram mais frequentes após a renúncia de ACM ao cargo de senador da República, duas semanas atrás. Ex-aliado de FHC, Antonio Carlos foi acusado de ter participado da violação do painel eletrônico da Casa na cassação de outro ex-senador, Luiz Estevão (sem partido-DF), em junho do ano passado. Na época, ACM era presidente do Senado.
Para fugir de uma provável cassação e perda dos direitos políticos por oito anos, ACM renunciou ao cargo, assim como o ex-líder de FHC no Senado, José Roberto Arruda (sem partido-DF), que também confessou ter tido acesso a lista de votação da cassação de Estevão.


