O procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, disse que irá oficiar o comando do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM). O objetivo é esclarecer a situação do ex-secretário municipal de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi. Segundo reportagem exclusiva da Folha, publicada na semana passada, Paolicchi, que está preso há um ano, tem regalias, como passear pelo pátio e controlar a entrada de visitas.

Segundo o procurador, os privilégios do ex-secretário chamam a atenção por causa do contraste com a situação dos demais presos. ''O que vemos nas delegacias é degradante e, por isso, a diferença é tão gritante quando vemos o Paolicchi'', disse. Paolicchi é acusado de participar de esquema que teria desviado R$ 100 milhões dos cofres públicos.

Conforme o procurador, as denúncias sobre as regalias do ex-secretário são graves, mas difíceis de serem materializadas. ''Tudo que é noticiado, um minuto depois não está mais lá, ou seja, não tem como retroagir porque se você for verificar a situação já não é mais a mesma'', observou Silva. O Ministério Público Federal (MPF) é responsável pela denúncia que originou o processo da prisão do ex-secretário.

Ainda de acordo com o procurador, só não há como tentar esclarecer situações que dizem respeito à administração da carceragem. ''Por exemplo, se as visitas não são revistadas o risco sobre algum acontecimento é do próprio comando.''

O lugar ideal para Paolicchi ficar preso, na opinião de Silva, é uma cela da cadeia da Polícia Federal, cujo prédio deve ser inaugurado em fevereiro. Ele acrescentou que, apesar de todos os problemas, ainda é preferível que o réu permaneça no 4º BPM até a conclusão da cadeia.

''O ex-secretário é uma pessoa que sabe muita coisa e por isso requer muita segurança'', argumentou Silva. ''Sempre vemos a Justiça prender e soltar um cidadão, mas o Paolicchi está preso há um ano e, se depender de nós, vai continuar assim, mesmo depois da sentença.''

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