O Ministério Público Federal (MPF), que apura os desvios no Banco do Estado do Pará (Banpará), vai sugerir o bloqueio dos bens do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), de seus familiares e de pelo menos 50 empresas ligadas a ele. Os investigadores analisaram 50 fitas de caixa registradora dos bancos e, em pelo menos 30 delas, descobriram registros de transações com o número da conta e o nome do senador. Além do bloqueio, o MPF vai pedir que Jader seja processado por peculato e que faça ressarcimento ao Estado do Pará pelos prejuízos causados pelos desvios.
Senador pode
ser processado
por peculato
e terá que
devolver o
valor desviado
do Banpará
As medidas constam da nota técnica da 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio, do MPF, que deverá ser divulgada esta semana. O documento será encaminhado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, a única autoridade que pode pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de ações criminais no caso de um senador, que tem foro privilegiado. Jader será processado não apenas pelos procuradores federais, mas também pelo MP do Pará, que pedirá o ressarcimento ao Estado, na época do primeiro governo de Jader.
Pela apuração preliminar, o ressarcimento deverá ficar entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, segundo avaliação dos investigadores. Na contabilidade estão incluídos, além dos desvios atualizados monetariamente, os juros equivalentes aos últimos 15 anos, quando os desvios foram descobertos pelo Banco Central.
A nota vai mostrar cada umas das aplicações feitas com os 11 cheques administrativos do Banpará e outros sete emitidos pelo então diretor da instituição, Hamilton Guedes. Os procuradores, com ajuda do BC, farão um detalhamento da composição de cada transação. ‘‘Serão mostrados os caminhos das aplicações, o recebimento dos resíduos e o resgate feito pelo senador Jader e seus familiares’’, de acordo com um dos investigadores.
Para não atrasar a divulgação da nota técnica, os procuradores se basearam apenas nas transações feitas nos bancos Itaú, do Rio de Janeiro, e Econômico, em Belém. Apenas uma pequena parcela das contas mantidas no Citybank foram investigadas. A intenção é, a partir da instauração dos inquéritos, pedir o aprofundamento da apuração junto à instituição.
A participação de Jader em todo o caso foi revelada por um detalhe: os registros com o número de sua conta e seu nome, que ficaram gravados nas bobinas das caixas registradoras dos bancos. Um procurador, que antes de assumir no Ministério Público era bancário, sugeriu que o rastreamento fosse feito nas bobinas, o que acabou sendo uma das provas principais contra o presidente licenciado do Senado.
Para os investigadores, é necessário que se quebre o sigilo bancário de Jader desde 1982, quando ele foi eleito governador do Pará pela primeira vez, e se estenda até 1989, quando ele deixou o cargo e tornou-se ministro da Reforma Agrária e Previdência Social.

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