MPF prepara convocação de envolvidos no grampo
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Mariângela Gallucci Agência Estado 
Procuradores da República no Rio de Janeiro devem ouvir no próximo dia 30 os donos do Banco Opportunity, Pérsio Arida e Daniel Dantas, e do principal acionista da Telemar, Carlos Jereissati. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Pio Borges também devem prestar depoimento aos procuradores.
Os depoimentos devem integrar o inquérito civil público aberto na semana passada com base em um procedimento iniciado em agosto passado para investigar a participação de entidades públicas no leilão do Sistema Telebrás. A investigação dos procuradores cariocas Daniel Sarmento, Rogério Nascimento e Flávio Paixão se restringe à apuração de possíveis atos de improbidade administrativa. No caso específico, os procuradores investigam se administradores públicos agiram com parcialidade no processo de privatização.
Sarmento disse ontem na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, que os três procuradores não estão cogitando entrar com uma ação na Justiça para pedir a anulação de leilão. Dois procuradores da República no Distrito Federal, no entanto, disseram no final da semana passada que estavam pensando em ingressar com uma ação desse tipo.
Para justificar a ausência de uma ação que solicite a anulação do leilão, Sarmento disse que o grupo que poderia ter sido favorecido não foi o vencedor. O procurador carioca afirmou que as fitas com o conteúdo do grampo no telefone do BNDES não poderão ser usadas na investigação pois essa é uma prova ilícita, ou seja, não foi autorizada pela Justiça. Não vamos usar a fita em hipótese nenhuma, disse Sarmento.
Por esse motivo, o material ser utilizado pelos procuradores deverá ser o depoimento de Mendonça de Barros no Senado feito na semana passada e os depoimentos que deverão ocorrer na Procuradoria da República no Rio de Janeiro a partir do próximo dia 30.
As investigações sobre o crime de escuta telefônica sem autorização judicial também estão sendo feitas na Procuradoria da República do Rio de Janeiro. Os procuradores Silvana Batini e Artur Gueiros estiveram ontem em Brasília conversando com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para delinear o andamento do assunto.


