O Ministério Público Federal não descarta a possibilidade de requisitar à Polícia Federal que volte a inquirir o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes nas investigações sobre supostas irregularidades na crise da desvalorização do real de janeiro. A informação foi divulgada ontem pelo procurador da República Bruno Caiado, um dos encarregados pelo MPF de acompanhar o inquérito policial sobre o caso. Lopes já falou à PF na primeira fase das investigações, em Brasília, mas depois do depoimento surgiram outras informações sobre as quais o ex-presidente do BC ainda não se pronunciou.
‘‘Francisco Lopes já foi ouvido, mas nada impede que seja ouvido de novo’’, afirmou Caiado. As informações bancárias, fiscais e telefônicas de Francisco Lopes poderão ser usadas nas investigações da Polícia Federal, no Rio. Segundo fontes da PF com acesso ao inquérito que apura o socorro financeiro do BC aos bancos Marka e FonteCindam, os dados podem ser solicitados à CPI, que quebrou anteontem o sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-dirigente do BC. Lopes não pode deixar o País.
Os dados podem ser importantes caso a PF decida apurar se Lopes praticou sonegação fiscal. Há suspeitas de que o ex-presidente do BC teria cometido crime fiscal pelo fato de ter sido apreendida uma carta endereçada à esposa de Lopes, Araci Pugliese, em que seu ex-sócio, Sérgio Bragança, diz ter sob sua custódia no exterior com US$ 1,675 milhão que pertenceriam a Lopes. Neste caso, poderia ser aberto um novo inquérito na PF para investigar o fato.

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