Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) pediu ontem à 1 Vara Federal Cível de Curitiba a suspensão da ''escolinha'', reunião semanal do Executivo conduzida pelo governador Roberto Requião (PMDB) e transmitida ao vivo na TV Educativa. O pedido é assinado pela procuradora da República Antonia Lélia Neves Sanches e foi motivado pelo ataque do governador contra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), durante a ''escolinha'' do dia 23 de fevereiro. Naquela data, o peemedebista acusou o ministro de ter sugerido o superfaturamento do valor de um ramal ferroviário que seria construído na região de Guarapuava.
Desde janeiro de 2008, Requião está proibido, sob pena de multa, de praticar atos que impliquem em promoção pessoal, ofensas à imprensa, adversários políticos e instituições, com a utilização indevida de qualquer programa, propaganda ou comercial veiculado pela Rádio e Televisão Educativa do Paraná. Supostas desobediências, desde 2008 até agora, já resultaram em multas que, somadas, ficam em quase R$ 1 milhão.
Mas a procuradora da República sustenta agora que as multas se tornaram ''insuficientes'', já que o governador estaria ''cometendo inúmeras reincidências'', daí o pedido de suspensão da ''escolinha''. ''A imposição dessas multas a Roberto Requião não tem surtido o efeito aguardado - que é o de inibir o cometimento de novos ilícitos. Pelo contrário, o que se observa é que toda vez que lhe é aplicada judicialmente mais uma penalidade, Roberto Requião pratica novas ofensas (...). No caso em tela, a aplicação das multas, além de se mostrar insuficiente como meio de coibir Roberto Requião de fazer má utilização da Rádio e Televisão Educativa do Paraná, criou, também, um ciclo vicioso para o cometimento de novas ilegalidades'', escreveu ela.
Na prática, contudo, o pedido do MPF pode não ter efeito. Pré-candidato nas eleições de outubro, o governador deve sair do Executivo até o final do mês. Na próxima terça-feira, portanto, deverá ocorrer a última participação do peemedebista na ''escolinha''.
Por meio do Twitter, Requião afirmou que na segunda-feira fará uma representação no Ministério Público para que seja feita uma investigação sobre o caso do ramal ferroviário, envolvendo o ministro petista.
Depois do episódio, no mês passado, Paulo Bernardo entrou na 3 Vara Cível de Curitiba contra o governador, por danos morais. Segundo o advogado de Bernardo, Luiz Fernando Pereira, o peemedebista deve ser citado nas próximas horas, quando daí ele ganha um prazo de 15 dias para se defender.

mockup