O procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, pediu ontem à Justiça Federal a quebra do sigilo dos dados eletrônicos que constam das duas CPUs (Centrais de Processamento de Dados de computador) apreendidas no escritório da Agropecuária San Marino, de propriedade do ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi. Ele também requisitou à Justiça a designação de dois peritos para avaliar tanto os dados eletrônicos como os documentos das quatro caixas também apreendidas no escritório. O ex-secretário já teve sigilos bancário e fiscal quebrados.
‘‘Pedi dois peritos ad hoc (nomeados) para fazer um levantamento dos dados: um auditor da Receita Federal e um agente da Polícia Federal’’, explicou ontem. Segundo ele, com o laudo da perícia concluído, se houver elementos que possam ser juntados à ação criminal proposta por Silva contra Paolicchi eles serão anexados ao processo. ‘‘Se houver novos elementos, haverá novo inquérito’’, antecipou.
O procurador disse que não há prazo fixado para o trabalho dos peritos. ‘‘Vai depender do que eles encontrarem’’, explicou. Silva informou que deverá ser avaliado se há movimentação bancária, além de receitas e despesas. ‘‘Tudo será checado’’, informou.
A busca e apreensão de documentos de Paolicchi foi feita por agentes da Polícia Federal (PF) na terça-feira, mesmo dia em que o ex-secretário municipal teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, a pedido da Procuradoria da República.
Paolicchi é acusado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato. Na esfera estadual, o ex-secretário municipal é alvo de uma ação civil pública por improbidade administrativa pelo desvio de R$ 2,6 milhões dos cofres da Prefeitura de Maringá. Ele também é investigado pela CPI estadual do Narcotráfico por suposta ligação com o crime organizado no Estado.
Paolicchi está sendo procurado pela PF, que também pediu ajuda à Interpol (polícia internacional) para localizar o ex-secretário. ‘‘A Interpol pode localizá-lo e nos avisar porque, para cumprir o mandado de prisão fora do Brasil, é necessário autorização do Supremo Tribunal Federal’’, disse ontem o delegado da PF em Maringá, José Ferreira de Oliveira, através de sua assessoria de imprensa. O ex-secretário pode estar na Itália, já que possuiria cidadania italiana.
A PF e o Departamento de Aviação Civil (DAC) também foram oficiados pela Justiça Federal para proibir qualquer vôo do Lear Jet prefixo LDM. O jato, avaliado em mais de R$ 4 milhões, não pode deixar o País. O DAC também terá de informar, por determinação da Justiça Federal, se Paolicchi deixou o País nos últimos 20 dias.
Anteontem, o advogado do ex-secretário, Moisés Zanardi, disse que pretende pedir a revogação da prisão de Luis Antônio Paolicchi e que ele deveria se apresentar no próximo dia 30, data definida pela Justiça para o interrogatório. Mas, com a decretação da prisão, ele disse que a situação se alterou. O procurador da República disse que caberá à Justiça avaliar se mantém ou não a preventiva caso Paolicchi se apresente.