MPF pede devassa no ministério de Greca
Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O Ministério Público Federal (MPF) pediu ontem à Justiça Federal a quebra de sigilo bancário e telefônico dos últimos dois anos de 60 empresas e pessoas suspeitas de corrupção e envolvimento com a máfia italiana. Na quebra de sigilo bancário, estão oito servidores diretos do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, incluída a secretária-executiva Tereza Castro.
O MPF também pediu a quebra de sigilo de 45 telefones, inclusive o do Instituto Farol do Saber, de Curitiba, que segundo o MPF, pertence a Greca. O ministro disse ontem, pela sua assessoria, que não vai falar sobre o assunto. Ele afirmou que é colaborador do instituto, dirigido por sua mulher Margarita Sansoni.
A quebra de sigilo bancário e telefônico (de 1º de janeiro de 1998 a 31 de dezembro de 1999) foi pedida pelos procuradores Luiz Francisco de Souza e Guilherme Zanina Schelb, com base em sindicância do governo e inquérito da Polícia Federal. As denúncias são de corrupção na autorização de bingos, elaboração de portarias de bingos e penetração de mafiosos italianos no País.
Também estão na lista de quebra de sigilo o chefe de gabinete de Greca, Pedro Vieira César, o subsecretário de Orçamento e Administração, Tupy Barreto Júnior e os assessores Rosane Teixeira Padilha da Silva Freitas, Mauro José Magnabosco, Suzana Dieckman Jeolas e Jeolas, Almir Carlos Bornacin e Lincoln Paulo Martins Moreira. Envolve também oito funcionários do Indesp, vinculado ao ministério. Estão na lista o ex-diretor de Administração e Finanças Luiz Antônio Buffara, o procurador-geral Luiz Roberto Passani, o coordenador-geral José Clodomiro Russomano, o ex-coordenador-geral Alexandre Teixeira.
Foi também pedida a quebra de sigilo bancário de Mirta Aparecida Brasil Fraga, que, segundo o MPF, participou de reuniões secretas na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e, posteriormente, foi contratada como chefe de divisão do Indesp. Segundo as investigações do MPF e da PF, a Portaria 23 do Indesp, que regulamentava as máquinas de videobingo, foi redigida dentro da Conab, por servidores que não trabalhavam no Indesp.
O MPF pediu a quebra de sigilo de todos os que participavam destas reuniões na Conab, entre eles, o ex-procurador-geral do órgão Paulo Joaquim de Araújo, o ex-chefe de gabinete da Conab André Manfredini e o advogado Tiago Loureiro, procurador as empresas do empresário de bingo Alejandro Ortiz de Viveiros.
A maioria das quebras de sigilo é do grupo ligado a Viveiros e dos três filhos dele, Alejandro Ortiz de Viveiros, Johnny de Viveiros Ortiz e Alex de Viveiros Ortiz. A família Ortiz foi sócia do mafioso italiano Lillo Rosario Lauricella, preso na Itália por associação mafiosa e tráfico de cocaína e heroína. Também foi pedida a quebra de sigilo do bicheiro paulista Ivo Noal. Em depoimento à Justiça da Itália, Lauricella disse que pagava US$ 80 mil mensais a Noal para instalar os negócios em São Paulo.
O MPF pediu ainda a quebra de sigilos dos professores Carlos Alberto de Bragança Pereira e Júlio Michael Stern, da PUC de São Paulo, Ruy Luiz Milidiiú, da PUC do Rio, e José Pissolato Filho, da Unicamp (Campinas). Eles criaram o Instituto de Jogos e Loterias para certificação de máquinas de bingo, tendo como sócio o advogado Loureiro, representante das empresas de Alejandro Ortiz de Viveiros.





