Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) pediu ontem, na apresentação de suas alegações finais à Justiça Federal do Paraná, a condenação do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, do doleiro Alberto Youssef, do lobista Fernando Soares, conhecido como "Baiano", e de Júlio Camargo, empresário e ex-representante da Toyo Setal, na ação penal que investiga o pagamento de propina na compra de dois navios-sonda entre os anos de 2006 e 2007.
Os procuradores pedem que os réus sejam condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Além disso, o MPF também solicita o pagamento de R$ 156,3 milhões em indenização para a Petrobras e que seja decretado o perdimento do produto e proveito dos crimes (bens, numerários bloqueados em contas e investimentos) no montante de R$ 140,4 milhões.
Informações do processo apontam que a Petrobras comprou os navios por R$ 1,2 bilhão da empresa coreana Samsung Heavy Industries (SHI), em parceria com a Mitsui, ambas representadas por Julio Camargo. O empresário, que fechou acordo de delação premiada, relatou que o negócio renderia US$ 53 milhões de comissão a ele, dos quais US$ 40 milhões seriam direcionados a agentes políticos. Em seu interrogatório na semana passada, inclusive, Camargo afirmou que foi pressionado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a pagar US$ 10 milhões em propina, dos quais metade iria para o parlamentar.
A sentença do processo, no entanto, não deve sair tão cedo. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que antes de proferir sua decisão, o juiz Sérgio Moro deve prestar informações sobre a citação feita a Cunha. A ação do presidente do STF, Ricardo Lewandowski foi motivada por uma solicitação do próprio Cunha, que entrou com uma reclamação na Suprema Corte.
Na ação penal o MPF aponta que para dar aparência lícita à movimentação das propinas acertadas, foram celebrados contratos de comissionamento entre a SHI e a empresa Piemonte Empreendimentos, de Júlio Camargo, que juntos totalizaram US$ 53 milhões. Dessas comissões, saíram as propinas prometidas a Baiano e Cerveró. Da diferença entre os valores pagos pela Samsung e os prometidos aos demais acusados (US$ 13 milhões) sairia o "lucro" de Camargo, pela intermediação do negócio. Segundo as investigações, a Samsung pagou, entre 2006 e 2007, a quantia de US$ 40,3 milhões. Os US$ 13 milhões em "comissões" restantes não foram pagas pela Samsung, o que motivou Camargo a recorrer a Alberto Youssef para honrar o pagamento das propinas prometidas.
"Nenhum dos réus aqui denunciados repassou dinheiro uns para os outros por benesse ou carinho que nutriam entre si. Prometeram, aceitaram, pagaram e receberam vantagens indevidas, sim, para obter poder, dinheiro e status, bem como para fortalecer laços políticos que os beneficiariam economicamente no circulo vicioso da corrupção", ressaltaram os procuradores no pedido de condenação.

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