Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) pediu, em suas alegações finais apresentadas ontem à Justiça Federal do Paraná, condenação de 47 anos e 15 dias de prisão para a doleira Nelma Mitsue Kodama, que está detida no Complexo Médico Penal (CMP) em Piraquara, na Grande Curitiba. Ela foi presa durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), que apontou a existência de núcleos criminosos comandados por quatro doleiros (Nelma, Alberto Youssef, Carlos Habib Chater e Rauel Henrique Srour).
Esta foi a primeira ação penal da Lava Jato que chegou à fase das alegações finais. Depois do MPF, agora as defesas dos réus têm seis dias para apresentarem seus posicionamentos. Ao final deste prazo o juiz Sérgio Moro deve iniciar a análise de todo o processo antes de publicar a sentença.
Kodama é acusada de participação em organização criminosa, falsa identidade a terceiro para operação de câmbio, evasão de divisas, 91 operações irregulares de instituição financeira, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Conforme o MPF, a soma da movimentação financeira de suas empresas de fachada teria atingido, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, cerca de R$ 103 milhões só entre 2012 e 2013.
Nelma foi presa em flagrante no dia 15 de março, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, tentando embarcar para Milão, com 200 mil euros escondidos na calcinha. Nas alegações, os procuradores também ressaltaram que, "por meio de sua casa de câmbio, a Da Vinci, Nelma corrompeu um ex-gerente do Banco do Brasil (Rinaldo Gonçalves de Carvalho) para realizar operações ilícitas". Apenas pelo crime de corrupção o MPF pediu a condenação da doleira a 12 anos e quatro meses de reclusão.
Os procuradores também pedem aplicação de multa para a doleira, "considerando o seu papel de líder da organização criminosa, como também o fato de ter construído significativo patrimônio com as atividades ilícitas, possuindo carros e apartamentos de luxo".

Integrantes
Além de Nelma, citada na acusação como "líder do grupo criminoso, mandante e executora dos crimes", esta ação penal abrange outros oito réus. Uma delas é Iara Galdino da Silva, que está presa na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP) e que seria o "braço direito" de Nelma, principal administradora das empresas de fachada e responsável pela execução das transações financeiras ilegais. Os procuradores pediram 26 anos e 11 meses de prisão para ela.
Luccas Pace Junior, que trabalhou para Nelma e fez delação premiada, na qual revelou detalhes da organização, deve ter a pena reduzida. O MPF requer inicialmente 13 anos de reclusão.

mockup