MPF oferece denúncia contra Gianoto
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segunda-feira, 16 de julho de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido), a mulher dele, Neusa Duarte Gianoto e o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi foram denunciados na Vara Criminal da Justiça Federal por crimes contra a administração, formação de quadrilha e sonegação fiscal. A denúncia partiu do Ministério Público Federal (MPF) e trata do desvio de R$ 1.885.945.60 durante a administração de Gianoto (1997-2000).
A denúncia foi feita na sexta-feira e também envolve os servidores municipais Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa, além do empresário Jorge Sanches Ouverney, de Nova Friburgo (RJ). Até ontem, o juiz substituto Alexei Alves Ribeiro não havia decidido se acatava ou não a denúncia.
Para oferecer a denúncia, o procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, baseou-se em informações levantadas pelo Ministério Público (MP), em Maringá. Ele pede a devolução dos tributos sonegados de R$ 498.565,88, multa de duas vezes R$ 373.924,47 mais juros de R$ 175.998,36, que totalizam mais de R$ 1,4 milhão.
Na denúncia, Gianoto é acusado de receber recursos desviados dos cofres públicos. Os valores, que totalizam pouco mais de R$ 696 mil, seriam enviados de contas da prefeitura via Documento de Ordem de Crédito (DOC) para as contas do ex-prefeito. Segundo o MP, a ex-primeira-dama recebeu, em fevereiro de 99, dois depósitos de recursos desviados (de R$ 2 mil e outro de R$ 14 mil).
O procurador cita ainda a compra de duas colheitadeiras, adubo, sementes e o transporte dos insumos para a fazenda de Gianoto em Nova Mutum (MT), pagos com dinheiro da prefeitura. Cada colheitadeira custou R$ 104.850,00. Entre agosto e setembro do mesmo ano, Gianoto, segundo o MP, voltou a usar cheques do município para pagar a compra de R$ 135.165,60 em adubos.
Na mesma época, o ex-prefeito comprou também 3 mil sacas de sementes, por pouco mais de R$ 90 mil, e pagou com cheque pessoal. O cheque voltou e Gianoto teria saldado a dívida com dinheiro da prefeitura. Todos os insumos foram levados de Maringá e de Uberlândia para a fazenda de Nova Mutum por transportadoras que receberam R$ 50 mil dos cofres públicos, segundo a procuradoria.
O envolvimento do empresário Ouverney se deve à troca da aeronave de Gianoto. O ex-prefeito tinha um Beechcraft prefixo PT-OKU e comprou um bimotor Piferraicraft, prefixo PT-OPC, avaliado em US$ 600 mil, do empresário. Parte do pagamento teria sido efetuado com recursos públicos. Ouverney foi envolvido porque, segundo o procurador, sonegou o valor verdadeiro da operação para recolher menos tributos. A sonegação, pelos cálculos da procuradoria, é de R$ 352 mil.
Até o ano passado, esta denúncia tramitava no Tribunal de Justiça (TJ) porque Gianoto tinha foro privilegiado como prefeito. Como ele não ocupa mais o cargo, o processo voltou à Justiça comum em março deste ano. Porém, o juiz da 3ª Vara Criminal de Maringá, Shiroshi Yendo, alegou conexão e enviou o processo à Justiça Federal, onde já tramita uma ação com o mesmo tema.
A Folha procurou o advogado de Gianoto, Antônio Mansano Neto, mas ele não foi encontrado. O empresário Ouverney também não foi localizado. Paolicchi está preso desde dezembro.


