Curitiba - A Força-Tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que investiga o esquema de evasão de divisas via contas CC5 (exclusiva para não residentes no Brasil) apresentou, ontem, duas novas denúncias à 2 Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. Ao todo foram denunciadas 55 pessoas, sendo 48 gerentes, proprietários e laranjas dos bancos Araucária e Integración (braço do Araucária no Paraguai) e sete da Golden Câmbios Sociedade Anônima.
Os denunciados estão sendo acusados de promover evasão de divisas do País, gestão fraudulenta, formação de quadilha e de prestar informações falsas ao Banco Central. ''Trata-se de uma denúncia técnica, ou seja, foram arrolados todos os acionistas e controladores das instituições que têm indícios de que participaram do processo, mas ainda não há prova plena. A partir de agora é que vamos investigar qual o grau de participação e culpabilidade de cada um'', esclareceu o procurador da República Januário Paludo, integrante da força-tarefa. Entre os 55 denunciados, no entanto, os procuradores já sabem que existem pessoas foragidas.
As denúncias de ontem são resultado do trabalho da segunda força-tarefa do MPF, formada em agosto deste ano. Como resultado das investigações da primeira força-tarefa, que atuou entre maio e agosto, o Ministério já tinha apresentado denúncias contra 194 pessoas em nove ações penais. Destas, 11 tiveram prisão decretada pela Justiça Federal. De acordo com o procurador Geral da República Cláudio Fonteles, que aproveitou a reunião semestral com os procuradoers ontem em Curitiba, e participou da apresentação das denúncias, o MPF também conseguiu garantir o sequestro de bens de cerca de 40 destas pessoas, num montante superior a R$ 50 milhões. ''Isto é importante para recompor os danos patrimoniais que estes criminosos impuseram à sociedade'', disse.
Segundo os promotores, a remessa de dinheiro para o Exterior via banco Araucária funcionava de maneira semelhante ao esquema usado pelo Banestado. Até agora, foi apurado que com o uso de dezenas de ''laranjas'' e agências de turismo, foram enviados de forma ilícita, via contas CC5, US$ 6 bilhões ao exterior apenas entre 1994 e 1996. Os promotores ainda investigam o período posterior a 1996. ''Sabe-se que entre 1996 e 99 houve um grande incremento no uso das contas CC5, como aconteceu com o Banestado'', afirmou Paludo. O dinheiro remetido pelo banco Araucária era enviado a contas da agência Banestado em Nova York ou para o Suisse Bank.
Entre os controladores e acionistas responsáveis pelo banco Araucária, foram denunciados Alberto Dalcanale Neto, Luiz Alberto Dalcanale, Roger Dalcanale, além de Paulo Konder Bornhausen, que detinha 13% das ações do banco em 1994 e vendeu sua parte à Alberto Dalcanale Neto, com quem tem relações de parentesco.

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