MPF investiga suposto crime eleitoral em Curitiba
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador eleitoral Neviton Guedes admitiu ontem que o Ministério Público Federal (MPF) investiga uma denúncia de crime eleitoral que envolveria o ex-secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, Manasses Oliveira e outros funcionários da Prefeitura Municipal de Curitiba. Oliveira foi exonerado na quinta-feira juntamente com o superintendente da secretaria, Raul D'Araújo Santos e o gestor público municipal, Alexandre Gardolinski.
Os três teriam sido flagrados em um vídeo gravado por Gardolinsk durante a campanha eleitoral de 2008. Antes das eleições, Oliveira, que era vereador e tentava a reeleição pelo PRTB, rompeu com a legenda porque o partido decidiu aderir a uma coligação com o PTB, que tinha como candidato a prefeito o deputado estadual Fábio Camargo.
Sem conseguir impedir a coligação, Manassés, o então vereador Mestre Déa e outros candidatos deixaram o partido e inauguraram o Comitê Lealdade, de apoio a Beto Richa (PSDB). Depois da eleição Manassés - que ficou sem mandato - foi nomeado secretário. Já Déa se tornou assessor técnico da secretaria municipal de Esporte e Lazer.
O vídeo mostraria uma reunião do Comitê Lealdade e teria registrado a realização de pagamentos aos candidatos a vereador. O procurador não confirma a existência da fita, mas informa que está investigando o caso e que deve se pronunciar quando tiver dados concretos sobre o caso.
A suspeita é que as imagens registradas no suposto vídeo configurem crime eleitoral uma vez que os ex-candidatos a vereadores estariam recebendo dinheiro em troca do apoio ao candidato do PSDB.
Na Prefeitura de Curitiba a assessoria de comunicação admite que a causa da demissão de Oliveira e dos outros funcionários é uma investigação interna da instituição sobre o suposto vídeo. Os três teriam aparecido nas imagens em conduta incompatível com as funções que desempenhavam na administração pública. A prefeitura não confirma a possível exoneração de outras pessoas nem comenta o caso.
A reportagem da FOLHA tentou contatar o ex-secretário durante toda a tarde de ontem, mas Oliveira não atendeu nem seu telefone celular pessoal. Já na casa da família de Alexandre Gardolinsk a reportagem foi informada de que ele estaria incomunicável.
Raul D'Araújo Santos também não foi encontrado. Em 2008, quando Manassés Oliveira se licenciou do cargo de secretário municipal do Trabalho na prefeitura de Curitiba, Santos assumiu o cargo interinamente. Até a última quinta-feira ele atuava como superintendente de Oliveira na secretaria de Assuntos Metropolitanos.


