Curitiba - O tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e outros onze operadores do mercado ilegal de dinheiro que atuavam junto à Diretoria de Serviços da Petrobras, além de três executivos da empresa catarinense Arxo, que mantinha contratos com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, foram os alvos da Operação "My Way", nona fase da investigações da Lava Jato, deflagrada ontem nos estados de Santa Catarina, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro.
O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que a força tarefa quer saber especificamente de Vaccari Neto "informações a respeito de doações que ele solicitou, legais ou ilegais, envolvendo pessoas que mantinham contratos com a Petrobras". O tesoureiro do PT prestou depoimento na sede da PF em São Paulo, em mandado de condução coercitiva.
Cerca de 200 policiais federais, com apoio de 25 servidores da Receita Federal, tinham cumprido 40 mandados de busca e apreensão, 17 de condução coercitiva e dois mandados de prisão temporária até o final a noite de ontem. Entre os presos está o sócio da Arxo, Gilson Pereira; e Sérgio Marçaneiro, diretor financeiro da empresa. Os dois já estão na carceragem da PF, em Curitiba.
João Gualberto Pereira, um dos proprietários da empresa catarinense também teve a prisão temporária decretada, mas está em viagem aos Estados Unidos e, segundo a PF, deve se entregar até hoje. Um dos operadores do esquema, que não teve o nome divulgado e mora no Rio de Janeiro, teve a prisão preventiva decretada, mas que ainda não foi cumprida. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), esta pessoa é o elo entre os dois núcleos da nona fase, ou seja, operava tanto na Diretoria de Serviços quanto na BR Distribuidora.
Conforme a PF e o MPF, contribuíram para esta nova etapa da operação as informações da colaboração premiada do ex-gerente da estatal Pedro Barusco Filho, além da denúncia apresentada por uma ex-funcionária de uma das empresas investigadas. Barusco era o subordinado direto do diretor de Serviços, Renato de Souza Duque, que chegou a ser preso durante a sétima etapa das investigações, e que foi indicado ao cargo pelo PT.
Ao todo foram identificadas 24 empresas ligadas a esses 11 operadores, a maioria de fachada. Essas empresas manteriam contratos com indícios de fraudes envolvendo a Diretoria de Serviços da Petrobras. As supostas prestações de serviços justificariam o pagamento de propina aos agentes públicos. O outro núcleo da investigação envolve a empresa Arxo, com sede na cidade de Piçarras (SC). Conforme o MPF, ela é investigada por um suposto esquema de contratos ilegais com a BR Distribuidora para fornecimento de tanques de combustíveis e caminhões-tanques. De acordo com os investigadores, um grande volume de dinheiro (ainda não contabilizado) foi apreendido na sede Arxo. No final do ano passado, a empresa fechou um contrato de R$ 85 milhões para produzir 80 CTAs (caminhões tanques de abastecimento de aeronaves), com o objetivo de equipar e renovar a frota da Petrobras.
"A maior parte não é tão grande quanto Youssef, mas tem operadores importantes. Os indícios nos levam a crer que a atuação deles era bem semelhante à do Youssef e do Fernando Baiano. Faziam basicamente a intermediação entre o pagamento dos recursos desviados a título de propina de empreiteiras e outras empresas destinados a agentes públicos", ressaltou Igor Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF do Paraná.
Segundo o procurador Carlos Lima, o pagamento de propina na BR Distribuidora pela Arxo funcionou "até a data de hoje". De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder pelos crimes de fraude a licitação, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. "As empresas para as quais estes operadores lavavam dinheiro são das mais variadas espécies, fornecedores de obras, serviços e equipamentos para Petrobras. É muito mais variado do que simplesmente empreiteiras. Desta forma, saíamos somente do rol das empresas citadas na sétima fase", reforçou Carlos Lima.
"Se imaginarmos que o Pedro Barusco recebeu algo em torno de US$ 100 milhões em propinas, não foram uma ou duas operações, mas centenas e das mais variadas. O esquema de pagamento de propinas a agentes públicos da Petrobras era muito vasto e certamente hoje (ontem) as pessoas envolvidas vão saber que nós estamos chegando muito próximos deles", completou.
Segundo as investigações, o colaborador Pedro Barusco chamava o ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, de codinome de "My Way", por isso o nome da operação deflagrada ontem.

EMPRESA

A assessoria da Arxo informou, em nota, que a empresa é fornecedora da BR Distribuidora em vários segmentos, e que o setor administrativo da empresa está com atividades suspensas no momento para que os profissionais possam prestar informações solicitadas pela Receita e PF. A empresa também informou que não sabe por qual motivo está sendo investigada. (R.C.J.)

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