MPF investiga fiança do BB em privatização
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Eliane Azevedo Agência Estado 
O Ministério Público Federal (MPF) pode apelar à Justiça para conseguir informações sobre a concessão das cartas de fiança do Banco do Brasil (BB), no processo de privatização do Sistema Telebrás, caso a instituição continue se negando a fornecê-los. Se for necessário, vamos obter isso judicialmente, afirmou o procurador da República Rogério Nascimento. Na semana passada, o BB avisou oficialmente que não fornecerá informações sobre as garantias que concedeu, por não poder violar o sigilo bancário.
Nascimento disse que vai ouvir hoje o consultor jurídico da presidência do BB para saber qual é a posição da instituição. O consultor deverá acompanhar o depoimento do ex-diretor das áreas Comercial e Internacional do BB Ricardo Sérgio de Oliveira, marcado para a sede da Procuradoria em São Paulo, que será acompanhado por Nascimento e pelo procurador Flávio Paixão. O procurador disse que não vai definir quanto tempo esperará pelas informações do BB antes de conversar com o consultor.
Ontem, na sede da Procuradoria no Rio, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Lara Resende e o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros prestaram depoimento no inquérito civil público que apura suposta improbidade administrativa no leilão do Sistema Telebrás. Segundo o procurador, os depoimentos não surpreenderam. Os dois disseram não ter ajudado na formação dos consórcios que disputaram a privatização.
Nascimento contou que Resende garantiu não ter preferências quanto ao vencedor do leilão, mas Barros disse aos procuradores que tinha uma íntima convicção pessoal, que não dividiu com ninguém, sobre o melhor consórcio, (que seria) o liderado pelo Opportunity. O ex-ministro também afirmou, no depoimento, que simplesmente comentara com Oliveira - numa das conversas telefônicas grampeadas - que havia um problema na obtenção da carta de fiança por parte do Opportunity, e o então diretor do BB respondeu que resolvera a questão. Nas fitas gravadas por meio do grampo no BNDES, o ministro pedia a Oliveira que concedesse a carta de fiança ao Opportunity.


