O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido) deve ser denunciado criminalmente pelo Ministério Público Federal (MPF) ainda na primeira quinzena de maio, por ter se beneficiado dos desvios de dinheiro público. O volume total desviado da Prefeitura de Maringá deve chegar a R$ 100 milhões. Na última sexta-feira, o Ministério Público do Estado (MP) ingressou com uma ação – a segunda – contra Gianoto e outras 23 pessoas e empresas pelo desvio de R$ 46,3 milhões apenas em uma conta da prefeitura na Caixa Econômica Federal.
O MPF espera apenas a sentença da ação contra o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi e outros três servidores municipais (Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa) para apresentar a denúncia contra Gianoto. Paolicchi e os três servidores são acusados de peculato, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha pelo desvio de R$ 2,6 milhões entre dezembro de 1998 e março de 1999. Apenas Paolicchi está preso. A sentença deve sair no início de maio.
Gianoto foi denunciado por ter recebido R$ 549 mil de dinheiro desviado em uma conta particular. Como na época da denúncia ainda era prefeito, a ação foi enviada ao Tribunal de Justiça (TJ) – ele tinha foro privilegiado. Depois de perder o cargo, o processo foi devolvido à justiça comum.
O juiz da 3ª Vara Criminal de Maringá, Shiroshi Yendo, entendeu que a ação deve ser julgada pela Justiça Federal, onde já tramita processo envolvendo o desvio na prefeitura. O procurador da República, Natalício Claro da Silva, confirmou que vai propor a ação contra Gianoto, mas não deu prazo.
Além do ex-prefeito, também foram denunciados pelo MP, na sexta-feira, a mulher dele, Neusa Gianoto, Paolicchi e o doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef, entre outros. O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, foi procurado pela reportagem anteontem, mas não quis comentar a denúncia do MP. Ele afirmou que só deverá se posicionar quando for apresentada a citação do doleiro na ação.
O advogado disse apenas que o fato do nome de Youssef aparecer na lista não representa nada. É preciso provar que o doleiro tinha uma relação comercial com a prefeitura. ‘‘Tudo isso faz parte para usar o Youssef como a bola da vez e de justificar as péssimas administrações públicas, inclusive a posição de quem deveria vigiar essas administrações e não somente agir depois.’’ (Colaborou Cláudia Barberato, de Londrina)

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