MPF denuncia quadrilha por golpe contra o INSS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Paula Barbosa Ocanha<BR> Reportagem Local 
O Ministério Público Federal (MPF) em Campo Mourão denunciou 18 pessoas por formação de quadrilha organizada para a prática de crimes contra o INSS, na agência do município. Dentre os denunciados estão sete servidores do INSS de Campo Mourão - incluindo um médico perito -, uma estagiária, quatro ex-vereadores de cidades vizinhas, quatro intermediadores de benefícios e duas integrantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Janiópolis. O líder do grupo, segundo o procurador Robson Martins, era o ex-vereador de Campina da Lagoa Márcio Fernando Calderari. O caso estava sendo investigado desde 2005 por conta de uma denúncia feita no MPF.
Segundo o procurador, a organização criminosa concentrava-se na concessão fraudulenta de benefícios previdenciários, sobretudo naqueles de trabalhadores rurais em regime de economia familiar. ''Eles tinham um esquema montado para falsificar várias espécies de documentos, e também usavam documentos verdadeiros de pessoas da área rural, já que eles não recolhem impostos para a Previdência.'' Os servidores inseriam dados falsos no sistema e realizavam indevidas justificações administrativas, auxiliando a quadrilha na obtenção irregular de altas quantias a título de valores atrasados.
''O INSS ainda está calculando o valor da fraude. Pedimos o afastamento dos servidores do INSS que ainda estão trabalhando, e também vamos pedir o ressarcimento dos valores'', explica. Na investigação, iniciada pelo MPF em conjunto com a Polícia Federal, foram realizados inúmeros monitoramentos telefônicos autorizados pela Justiça Federal. ''Foi uma investigação tão complexa que demorou cinco anos para ser concluída.'' O MPF solicitou à Justiça Federal a condenação dos réus no crime de quadrilha do Código Penal, além de solicitar o afastamento judicial dos servidores do INSS que ainda estão trabalhando e ajuizará ações específicas para ressarcimento do patrimônio público. A reportagem não conseguiu contatar Calderari.


