MPF denuncia presidentes das maiores empreiteiras do País
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sexta-feira, 24 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local
Curitiba Num dia considerado histórico pelos procuradores, delegados da Polícia Federal (PF) e representantes da Receita Federal (RF), a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que atua na Operação Lava Jato, ofereceu denúncias contra os presidentes da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A partir de agora cabe ao juiz Sérgio Moro acatar ou não o pedido e, caso a decisão seja favorável, os suspeitos passam a ser réus em ações penais.
"Nós vivemos um momento histórico. Digo isso no momento em que a impunidade de poderosos grupos econômicos e políticos que se enriqueceram ilicitamente às custas da sociedade brasileira é rompida. Hoje a Lava Jato dá mais um importante e vigoroso passo no combate à impunidade. Essas acusações são o símbolo de que ninguém está acima da lei" destacou o procurador Deltan Dallagnol durante a coletiva realizada ontem, em Curitiba.
Além dos dois empresários do alto escalão das maiores empreiteiras do País, também foram denunciados outras 20 pessoas, entre elas os executivos Rogério Santos de Araújo, Alexandrino de Salles de Alencar, Márcio Faria da Silva, César Ramos Rocha e Paulo Sérgio Boghossian (ligados à Odebrecht); e Flávio Gomes Machado Filho, Antônio Pedro Campello de Souza, Paulo Roberto Dalmazzo e Elton Negrão de Azevedo Júnior (ligados à Andrade Gutierrez), todos suspeitos de participação no megaesquema de desvios de recursos da Petrobras.
Também estão entre os denunciados os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque; o doleiro Alberto Youssef; os operadores Fernando "Baiano" Soares, Armando Furlan Junior, Bernardo Freiburghaus, Mario Góes e Lucelio Góes; e os ex-funcionários da Petrobras Celso Araripe e Pedro Barusco Filho. O empresário Eduardo de Oliveira Freitas Filho, dono de uma construtora suspeita de intermediar pagamentos de propina, também foi citado na denúncia.
"Nós nos aproximamos da verdade por meio de fatos e provas e não por meio de notas para a imprensa desacompanhadas de evidências. E, os documentos que chegaram da Suíça nos mostram o contrário do que dizem estas notas", frisou Dallagnol.
Conforme a apuração foi avançando o MPF conseguiu documentar 106 atos de corrupção ativa, 61 atos de corrupção passiva, além de 62 atos de lavagem de dinheiro em contratos de R$ 8,94 bilhões da Andrade Gutierrez, dos quais, segundo os procuradores, R$ 243 milhões foram desviados. No total, os investigadores pedem o ressarcimento de R$ 486 milhões aos cofres públicos.
Segundo as investigações, a Andrade Gutierrez pagou propina a Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, tendo como destinatário final o Partido Progressista (PP). A construtora também teria efetuado pagamentos por meio de uma empresa de fachada de Fernando Soares, o "Baiano" e de seu sócio Armando Furlan Jr.; e ainda para Mário Goes e Lucélio Goes que repassaram os valores para a área de serviços da estatal, que envolvia Pedro Barusco e Renato Duque.
O MPF também acusa os executivos da Odebrecht de desviar R$ 389 milhões em 56 atos de corrupção e 136 atos de lavagem de dinheiro, e solicitou um ressarcimento de R$ 6,7 bilhões aos cofres públicos com a atuação irregular da empresa junto à Petrobras. Conforme os procuradores, a denúncia contra a Odebrecht abrange três frentes. Na primeira, os investigadores acusam a empresa de pagar R$ 1,5 milhão ao ex-gerente da obra do Centro Administrativo de Vitória (ES) Celso Araripe para obter o contrato. Na segunda frente o MPF aponta o contrato de nafta da Braskem com a Petrobras, no qual teriam ocorrido quase R$ 6 bilhões de prejuízo devido à valores "negociados" para que a negociação fosse concluída.
E por fim, e se baseando em informações repassadas pelas autoridades suíças, o MPF apontou provas de que pelo menos seis empresas offshores em nome da Odebrecht repassavam recursos para ex-dirigentes da estatal petrolífera. Tais informações, inclusive, foram utilizadas como argumento pelo juiz Sérgio Moro para decretar nova prisão preventiva dos envolvidos. Ao todo, foram identificadas 115 movimentações financeiras chegando ao valor de R$ 1,03 bilhão por estas contas entre os anos de 2006 e 2014.
Em clara resposta aos ataques promovidos pela defesa das empreiteiras que questionam os atos da investigação, Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF, deixou um recado: "Verificamos principalmente por parte da Odebrecht uma atitude de negação desde o começo da investigação, e hoje nós sabemos o porquê desta atitude. Não adianta martelar uma mentira mil vezes que o MPF, a PF e a RF vão mostrar que é uma mentira, vamos trazer a verdade à tona. Se essa for a estratégia, ela vai ser rebatida em todas as fases do processo até o julgamento final", ressaltou.