MPF denuncia presidente da CEF à Justiça Federal
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Ministério Público Federal (MPF) enviou ontem à Justiça Federal, denúncia contra o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, e o vice-presidente de Logística, Paulo Bretas, além de outros dois dirigentes, por gestão temerária e fraudulenta, corrupção ativa e passiva e concussão. Eles são acusados de responsabilidade direta na assinatura de contrato de operação da rede de loterias entre a instituição e a multinacional americana Gtech. A denúncia atingiu ainda os executivos da empresa, Antônio Carlos Lino Rocha - ex-presidente - e o atual diretor de Marketing, Marcelo Rovai, além do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz, o consultor Rogério Buratti e o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira''.
O relatório da denúncia, preparado pelo procurador regional da República, Marcelo Serra Azul, apresenta diversos depoimentos que, supostamente, comprometeram a direção da Caixa. Entre eles, o do ex-vice-presidente de Logística Mário Haag, Rovai, Rocha e ''Carlinhos Cachoeira''. Por terem colaborado com as investigações, os três últimos, apesar de terem sido denunciados, serão beneficiados pela lei com o fim de qualquer penalidade que porventura venham a ter no futuro.
Além de Mattoso e Bretas, foram denunciados o assessor da diretoria da Caixa Carlos Eduardo Silveira e o gerente nacional de Suprimentos da CEF, Adauto Barbosa Júnior. Os dois fizeram a negociação com a Gtech. A denúncia foi anexada ao inquérito aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar o caso.
A medida tomada pelo MPF, caso seja aceita pela Justiça, poderá reforçar a intenção do governo de afastar a atual diretoria da Caixa, cujas explicações dadas até agora acerca do contrato não foram convincentes. Também abre espaço para o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) tentarem obter o ressarcimento de um prejuízo milionário aos cofres da Caixa.


