Curitiba – Os procuradores da força-tarefa apresentam nesta semana as denúncias contra os executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez, duas das maiores empreiteiras do País. A previsão é de que até a próxima sexta-feira os investigados sejam denunciados à Justiça Federal do Paraná pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, fraude em licitações e formação de quadrilha.
As investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) apontaram que as duas empreiteiras promoveram o pagamento de propina por meio de empresas offshore em contas no exterior que pertenciam a pelo menos dois ex-diretores da Petrobras (Paulo Roberto Costa e Renato Duque); além do ex-gerente de Serviços, Pedro Barusco. Informações colhidas na Suíça, Panamá e Mônaco embasaram os pedidos de prisão cumpridos durante a 14ª fase da Lava Jato. Conforme a PF, a Odebrecht utilizava, na sua maioria, os "serviços" do operador Bernardo Freiburghaus, que atualmente mora na Suíça e também é investigado. Já a Andrade Gutierrez, "trabalhava" com Fernando Soares, o "Baiano", Mário Góes e Milton Pascowicth, dependendo para qual diretoria da estatal iria ser destinada a propina.
Segundo a PF, foram analisados contratos da Andrade Gutierrez com a Petrobras que somam R$ 9 bilhões, e da Odebrecht no valor de R$ 17 bilhões. Considerando a informação de delatores de que a propina equivaleria a 3% dos contratos, as autoridades estimam que o esquema tenha movimentado ao menos R$ 720 milhões em propina, sendo R$ 210 milhões em relação aos contratos da Andrade Gutierrez; e R$ 510 milhões da Odebrecht.
Pelo menos 12 investigados que foram presos devem ser denunciados à Justiça. Além de Marcelo Bahia Odebrecht; presidente da Odebrecht; e Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, também devem ser citados na denúncia Roberto Dalmazzo, Márcio Faria da Silva, Alexandrino de Salles, Rogério Santos de Araújo, César Ramos Rocha, João Antônio Bernardes e Cristiana Maria da Silva Jorge, todos ligados à Odebrecht; e Elton Negrão de Azevedo Jr, Antônio Pedro Campelo de Souza e Flávio Lucio Magalhães, da Andrade Gutierrez. Além destes, operadores e ex-diretores da estatal também devem ser denunciados.
Feita a denúncia, o juiz federal Sérgio Moro decide se acata ou não o pedido do MPF. Caso o magistrado aceite, os denunciados se tornam réus. Seguem detidos na carceragem da PF: Marcelo Bahia Odebrecht, Otávio Marques de Azevedo, Rogério dos Santos de Araújo, Márcio Faria da Silva, César Ramos Rocha, Elton Negrão de Azevedo Jr. e João Antônio Bernardi Filho.

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