MPF denuncia José Dirceu nesta semana
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domingo, 30 de agosto de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - Os procuradores da força-tarefa do Ministério Público do Paraná (MPF) oferecem nesta semana a denúncia contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Ele está preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba desde o dia 3 de agosto, quando foi deflagrada a 17ª fase da Operação Lava Jato, intitulada de "Pixuleco". A expectativa é de que os documentos sejam encaminhados para a Justiça Federal do Paraná até a próxima sexta-feira.
Além do ex-ministro, também devem ser denunciados pelos procuradores o lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura (que possui ligação antiga com o PT); Luiz Eduardo de Oliveira e Silva (irmão de Dirceu e sócio na JD Assessoria); Roberto Marques (ex-assessor político de Dirceu); Olavo Hourneaux de Moura Filho (irmão do lobista Fernando); Júlio Cesar dos Santos (ex-sócio da JD e dono da TGS Consultoria e Assessoria em Administração) e Pablo Alejandro Kipersmit (presidente da Consist Software).
O ex-ministro é apontado pelos investigadores da Lava Jato como um dos idealizadores do esquema de corrupção que se instalou dentro da Petrobras. Tanto a Polícia Federal quanto o MPF indicam que Dirceu teve papel crucial na instalação do modelo que abriu caminho para o cartel de empreiteiras que conseguiram contratos bilionários na estatal mediante pagamento de propinas para políticos e ex-diretores da estatal petrolífera.
Conforme as investigações, foram identificados pagamentos de propina para Dirceu tanto por meio de sua empresa de consultoria - a JD Assessoria e Consultoria Ltda - quanto por pagamento de despesas pessoais do ex-ministro, entre elas reformas de imóveis (alguns em nome da TSG Consultoria e Assessoria em Administração). A apuração também indicou que as empreiteiras Camargo Corrêa, OAS, Engevix, Galvão Engenharia e UTC Engenharia pagaram propina à JD, no valor de R$ 7,2 milhões entre 2009 e 2014. Além delas, também foram identificadas quatro prestadoras de serviços terceirizados que teriam repassado valores indevidos: Hope Recursos Humanos; Personal Service; Multitek Engenharia e Consist Software. Em alguns casos quem fazia a intermediação dos pagamentos era o empresário Júlio de Almeida Camargo e, na maioria das vezes, o operador Milton Pascowitch, por meio de contratos simulados com sua empresa Jamp Engenheiros Ltda. Os dois fecharam acordo de colaboração premiada e repassaram diversas informações e provas que embasaram o pedido de prisão do ex-ministro.
Também devem ser denunciados nesta semana os investigados da 16ª fase da Operação Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa. Entres eles está o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva e outras sete pessoas. Os investigadores suspeitam que o almirante possa ter recebido até R$ 30 milhões desviados de contratos para a construção da usina nuclear Angra 3. Além do militar, foram indiciados a filha dele, Ana Cristina Toniolo; o presidente da Andrade Gutierrez Energia (AG Energia), Flávio David Barra; e cinco suspeitos de intermediar o esquema de pagamento de propina: José Antunes Sobrinho, Josué Augusto Nobre, Carlos Alberto Montenegro Gallo, Geraldo Toledo Arruda Junior e Victor Sergio Colavitti.


