O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-prefeito de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), Adevílson Lourenço de Gouveia (PSL), por supostos desvio de verba pública, superfaturamento de obras e falsificação de documento público. A medida tem por base o inquérito instaurado em 2002 pela Polícia Federal (PF) de Londrina e cita outras quatro pessoas entre elas, o o proprietário da construtora Incolon, Antonio Jabur Lunardelli, que teria se beneficiado diretamente do recurso.
A denúncia se refere a pagamentos efetuados em 18 de fevereiro, 20 de março e 17 e 25 de maio de 1999 à construtora, no total de R$ 68,1 mil, à obra de dragagem (contratada por licitação carta-convite) que seria executada na Represa Três Barras. Segundo o MPF, entretanto, cópias de cheques e laudos de agentes da PF à época atestam que ocorreram ''pagamentos indevidos à empresa sem a realização da obra contratada''. Nos autos, estão anexadas cópias dos extratos bancários da Prefeitura e de cheques recebidos pela Incolon nas datas citadas na denúncia.
''A empresa Incolon, embora contratada para executar o desassoreamento do lago por dragagem, sequer possui o equipamento de draga ou empregado cadastrado na condição de operador de draga'', complementam os autos. Já a acusação de superfaturamento se baseia em Laudo de Exame em Obra de Engenharia que concluiu: o custo foi superfaturado em mais de 82%, ''já que Lunardelli afirmara ter recebido R$ 20 mil, mais tributos''.
Por fim, os autos acusam falsificação de documentos porque o ex-prefeito teria encaminhado à PF de Londrina Termo de Aceitação Definitiva da obra, ''que é inexistente'', e de notas fiscais supostamente falsificadas pela empresa contratada. Para ressaltar que o desassoreamento não foi realizado, a Procuradoria destaca que os agentes da PF estiveream no local e ouviram de moradores que nunca uma draga havia operado na área da obra.
O procurador regional da República Jorge Luiz Gasparini da Silva pede que, após a notificação dos acusados, sejam requisitadas as declarações de renda deles dos últimos cinco anos.
Gouveia prefeito na cidade por três mandatos disse desconhecer a denúncia, datada do último dia 9 de setembro. O advogado dele e de Lunardelli, Antonio Carlos de Andrade Vianna, negou que os crimes tenham sido cometidos. ''Ainda não fomos notificados, mas o MPF está enganado. Essa verba foi destinada a 0,2% da obra, e peritos do Tribunal de Contas (TC) e da União já vieram vistoriá-la. Os agentes da PF foram lá quatro anos depois, e sequer são engenheiros'', argumentou. Sobre os equipamentos, Vianna explicou que a Incolon os teria alugado. Já a respeito de suposto superfaturamento, foi taxativo: ''São cheques de tudo que a construtora já recebeu do município. Se era verba específica do Ministério do Meio Ambiente, não teria como desviar. Isso é intriga política contra o Adevílson'', alega.

mockup