São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o presidente licenciado da Eletronuclear, almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, e ex-executivos das empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix por integrarem uma organização criminosa, suspeita de fraudar licitações, distribuir propina e lavar dinheiro desviado da obra da usina nuclear de Angra 3. A Procuradoria pediu à Justiça que 15 pessoas respondam a ação penal, entre as quais os ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Engevix. A denúncia é o desdobramento da fase batizada de Radioatividade da Operação Lava Jato, que resultou na prisão do almirante, em julho. Posteriormente, sua prisão foi convertida em preventiva (sem prazo determinado).Othon Luiz é considerado o cérebro por trás do programa nuclear brasileiro. Nas décadas de 1970 e 1980, ele comandou o programa secreto da Marinha que permitiu ao Brasil enriquecer urânio para que pudesse ser usado como combustível para gerar eletricidade. Aposentado da Marinha desde 1994, ele vinha presidindo a Eletronuclear nos últimos dez anos. Na peça de 135 páginas, os procuradores dizem que o cartel das empreiteiras "naturalmente se expandiu" e replicou as práticas de corrupção na Eletronuclear que já adotava na Petrobras.

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