Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 21 pessoas envolvidas em um esquema de desvio de recursos públicos por meio do Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap), que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). A denúncia foi protocolada na última terça-feira na 2 Vara Federal Criminal em Curitiba e é resultado de uma investigação que corre desde o início de 2008. A ação penal também é consequência da chamada ''Operação Parceria'', deflagrada em maio último via trabalho conjunto da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União e da Receita Federal. Representantes e dirigentes da Oscip foram denunciados pela prática de crimes de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. O MPF sustenta que a organização criminosa, embora estruturada no Paraná, atuava em todo o País.
Entre os denunciados estão Dinomarme Aparecido Lima (apontado como chefe da organização); sua mulher Vergínia Aparecida Mariani; sua enteada Elzira Vergínia Mariani Guides Martins; seus filhos José Roberto de Lima e Sergio Ricardo de Lima; e seu genro Alexandre Pontes Martins - todos ocupando cargos de administração na Oscip e/ou nas empresas do grupo utilizadas no esquema.
Também foram denunciados José Ancioto Neto e Fernando José Mesquita - responsáveis pelas áreas de contabilidade e assessoria jurídica da organização, respectivamente - e Said Yusuf Abu Lawi, funcionário da Oscip que tratava da administração geral dos negócios relacionados às parcerias e convênios com a administração pública. Ainda foram alvo da denúncia lobistas, outros funcionários do Ciap e controladores de empresas envolvidas no esquema de lavagem de ativos. Parte dos denunciados está presa preventivamente.
O modo de operação da organização consistia na identificação de recursos públicos disponíveis para celebração de termos de parceria ou convênios, com prévia atuação de lobistas pertencentes ao grupo para direcionar os recursos para o Ciap. Os planos de trabalho das parcerias firmadas eram elaborados com vícios, sem o detalhamento de despesas, o que dificultava, posteriormente, a verificação da efetiva aplicação dos recursos públicos recebidos.
Para cada parceria era aberta uma conta bancária específica, e o dinheiro era desviado mediante saques em espécie, ou transferências para empresas ligadas ao grupo ou para outra conta do próprio Ciap.

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