Curitiba – Investigadores afirmaram ontem, em entrevista na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba, após a deflagração da 20ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Corrosão", que encontraram indícios do recebimento de propina por parte de ex-funcionários da Petrobras na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. Tais provas, segundo o Ministério Público Federal (MPF), poderiam levar a uma possível anulação do negócio.
A compra, concretizada em 2006, ainda no mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria ocasionado um prejuízo estimado de US$ 792 milhões para a estatal petrolífera. Para o MPF, houve pagamento de propina por parte da empresa Astra Oil, que vendeu 50% da refinaria e, por isso, também deve haver uma reparação. "Pudemos aprofundar as investigações e, com as colaborações realizadas, já temos nomes de funcionários que indicam o recebimento de propina. É importante este caso porque, quem sabe, com estas provas, nós consigamos, talvez, ou anular a compra ou ressarcir o patrimônio público brasileiro. Foi um péssimo negócio em que muitos se beneficiaram", ressaltou o procurador do MPF, Carlos Fernando dos Santos Lima.
A deflagração da nova fase se baseou, em grande parte, em informações e documentos repassados pelo colaborador Fernando Soares, o "Baiano", apontado pelos investigadores como operador do PMDB no esquema de corrupção. Em depoimento, ele relatou o pagamento da vantagem indevida realizado pela Astra Oil. A empresa teria repassado a quantia de US$ 15 milhões a fim de que ele transferisse o montante de propina prometido a cada um dos agentes públicos envolvidos.
O procurador fez questão de ressaltar, no entanto, que uma possível anulação do negócio só pode ser decidida pelo governo ou pela própria Petrobras. ``Nós (MPF) e a PF devemos produzir provas e entregá-las às autoridades, tanto brasileiras quanto americanas. A partir disso é uma decisão política e empresarial", completou.
A compra da refinaria nos Estados Unidos é um dos focos desta nova etapa da Lava Jato, que também avançam sobre desvios ocorridos em obras da Refinaria Abreu e Lima, no Nordeste; Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); e na negociação para que a Petrobras adquirisse dois navios-sonda.
A operação foi deflagrada após um hiato de 58 dias, em cinco cidades do Rio de Janeiro e da Bahia. Desta vez foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, cinco conduções coercitivas e dois mandados de prisão temporária tendo como alvos Nelson Martins Ribeiro, um novo operador; e Roberto Gonçalves, ex-gerente executivo de engenharia da Área de Serviços da estatal petrolífera.

ENVOLVIDOS

Conforme as investigações, Nelson Ribeiro realizava diversos repasses por meio de contas off-shore no exterior e também atuava para algumas empresas já investigadas pela Lava Jato, incluído empreiteiras. De acordo com Lima, só foi possível identificar este novo operador recentemente, quando as investigações sobre Pasadena foram encaminhadas do MPF do Rio de Janeiro para a força-tarefa em Curitiba, há cerca de dois meses. "Não dá para negar que os funcionários viram neste negócio uma forma de se locupletarem pessoalmente", disse.
Além de Roberto Gonçalves que está preso, também estão envolvidos no esquema e foram alvo de conduções coercitivas outros seis ex-funcionários da Petrobras: Luis Carlos Moreira da Silva; Rafael Mauro Comino; Cezar de Souza Tavares; Aurélio Oliveira Telles; Carlos Roberto Barbosa e Agosthilde Mônaco de Carvalho. Este último, inclusive, fechou acordo de colaboração premiada com o MPF.
"A existência de pagamentos de corrupção em relação a Pasadena está bem claro. Vários funcionários receberam valores para que o negócio fosse realizado. Além disso, tem uma série de avaliações e laudos dizendo que era inadequada a contratação. Enfim, tudo indica que era um contrato que não tinha a menor razão de ser e aparentemente foi utilizado exclusivamente para viabilizar este dinheiro sujo", destacou o delegado da PF, Igor Romário de Paula.

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