O procurador da República no Distrito Federal Guilherme Schelb anunciou que o Ministério Público Federal (MPF) investigará as contribuições financeiras para a campanha de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso que possam ter sido feitas sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo denúncia do jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’, cerca de R$ 10,12 milhões em contribuições à campanha de reeleição teriam sido feitos e não declarados ao TSE.
De acordo com Schelb, o primeiro passo do trabalho será o de constatar se, efetivamente, existiram contribuições não declaradas. Se comprovadas as contribuições, o Ministério Público conduzirá as investigações em duas linhas principais: primeiro, se houve sonegação fiscal por parte das empresas que contribuíram e, segundo, se essas essas empresas obtiveram alguma vantagem da administração pública.
Schelb informou que as investigações serão feitas no contexto da apuração das suspeitas de atuação irregular do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira. ‘‘Essa investigação está atrelada, umbilicalmente, ao caso Eduardo Jorge, já que há pessoas comuns a ambos os casos’’, disse Schelb.
Segundo ele, o Ministério Público possui uma lista pormenorizada com os nomes de empresas que fizeram doações para a campanha de reeleição. Mas Schelb enfatizou que o Ministério Público não tem os disquetes com uma planilha de contribuições.
Reunida ontem em Brasília para avaliar a denúncia, os líderes do PT, PSB e PC do B abandonaram a idéia – adotada em todas as denúncias anteriores contra o governo – de pressionar pela abertura de uma CPI para investigar o caso. A decisão tem o apoio do PDT, que não estava presente à reunião.
‘‘Não queremos criar uma falsa expectativa de instalação de uma CPI, porque não temos nenhuma segurança de que conseguríamos as assinaturas necessárias’’, avaliou o líder do PT, deputado Aloizio Mercadante (SP).
Mercadante, Alexandre Cardoso (PSB) e Haroldo Sabóia (PC do B) anunciaram que darão entrada hoje, às 15h30, a uma representação na Corregedoria do TSE para o desarquivamento das contas do candidato FHC para instauração de inquérito.
Outra representação no TSE vai pedir a abertura de inquérito para apurar indícios de falsidade ideológica e corrupção eleitoral a partir da denúncia de sobras de campanha não declaradas e doações paralelas sem registro no TSE.
O ex-coordenador político da campanha de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso Euclides Scalco negou ontem a formação de caixa 2 com doações não declaradas. ‘‘Esse é um problema para o Ministério Público investigar, mas passei todo o período da campanha coordenado-a politicamente e nunca tomei conhecimento disso’’, afirmou.
Desde setembro de 95 diretor brasileiro da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), Scalco licenciou-se do cargo durante a campanha da reeleição. Ontem, Fernando Henrique esteve na usina para assinar o contrato para o início da montagem das duas últimas unidades geradoras. O presidente evitou a imprensa e manteve-se sério quase o tempo todo.

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