MPF 'costura' novos acordos na Lava Jato
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segunda-feira, 27 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba A cada nova notícia de que mais um acordo de colaboração premiada está para ser fechado com os procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que atuam na Operação Lava Jato, os corredores dos prédios políticos em Brasília e, até mesmo em alguns outros estados, ficam em polvorosa. E a preocupação de muitos se justifica.
Os investigadores confirmam que pelo menos mais três delações já estão em andamento, chegando a 22 o número total de acordos celebrados até agora dentro da apuração sobre o megaesquema de desvio de recursos públicos da Petrobras. A informação foi repassada na última sexta-feira, durante a apresentação das denúncias contra os executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. No entanto, estas delações correm em sigilo e, por isso, os nomes dos novos colaboradores ainda não foi revelado.
Mesmo sendo um artifício questionado por grande parte das defesas dos envolvidos na Lava Jato, os acordos de colaboração seguem sendo uma ferramenta eficaz para identificar o caminho da propina paga para agentes públicos e, posteriormente a políticos. Segundo os procuradores, as declarações dos colaboradores precisam ser corroboradas com provas para serem validadas.
"Não é somente a delação. Sobre a relação do operador Fernando Soares com o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, por exemplo, temos evidências materiais concretas. São anotações de agendas e outras provas já listadas que apontam as negociações entre os dois", afirmou o procurador Paulo Roberto Galvão.
Tanto o doleiro Alberto Youssef, quanto o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa; já haviam citado em seus depoimentos a participação das duas maiores empreiteiras do País no esquema de corrupção, entretanto, com os documentos enviados pelas autoridades suíças, as provas se acumularam e foi possível oferecer as denúncias contra os executivos da Andrade Gutierrez e Odebrecht.
"Já tínhamos provas consistentes e as informações da Suíça apenas confirmam a convicção muito firme que já tínhamos. Não temos a menor dúvida do envolvimento das duas empresas (Andrade Gutierrez e Odebrecht) e de seus executivos na prática dos crimes", reforçou o procurador Deltan Dallagnol.
O MPF confirma oficialmente somente 16 acordos de colaboração: Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras), Shanni Azevedo Costa Bachmann (filha de Costa), Marici da Silva Azevedo Costa (esposa de Costa), Marcio Lewkowicz (genro de Costa), Humberto Sampaio de Mesquita (genro de Costa), Arianna Azevedo Costa Bachmann (filha de Costa), Luccas Pace Jr. (operador e subordinado da doleira Nelma Kodama), Alberto Youssef (doleiro), Júlio Almeida Camargo (empresário e ex-representante da Toyo Setal), Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (empresário e diretor-presidente da Toyo Setal), Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras), Shinko Nakandakari (operador), Rafael Ângulo Lopez (subordinado de Youssef), Eduardo Hermelino Leite (vice-presidente da Camargo Corrêa), Dalton dos Santos Avancini (presidente da Camargo Corrêa) e João Procópio Junqueira Prado ("testa-de-ferro" de Youssef). Mas também já estão fechadas as colaborações de Ricardo Pessoa (presidente da UTC Engenharia), Julio Faermann (representante da SBM Offshore, construtora de navios) e Milton Pascowitch (operador).
O procedimento de colaboração também é defendido pelo juiz federal Sérgio Moro, que está à frente dos processos da Lava Jato. Na sentença proferida na última semana em que condenou os executivos da empresa Camargo Corrêa, o magistrado ressaltou que "ainda que o colaborador seja um criminoso profissional e mesmo que tenha descumprido acordo anterior, como é o caso de Alberto Youssef, se as declarações que prestou soarem verazes e encontrarem corroboração em provas independentes, é evidente que remanesce o valor probatório do conjunto".
De acordo com o juiz, sem o recurso da colaboração premiada diversos crimes complexos permaneceriam sem elucidação e prova possível. "Quem, em geral, vem criticando a colaboração premiada é, aparentemente, favorável à regra do silêncio, a omertà (palavra italiana que significa conspiração) das organizações criminosas, isso sim reprovável", ressaltou.


