O procurador da República em Umuarama, Robson Martins, está cobrando em uma ação civil pública os custos da eleição suplementar realizada em 2010 no município de Tuneiras do Oeste (Noroeste) dos ex-candidatos a prefeito Walter Luiz Ligero e a vice, Custódio Aparecido Brito, que teriam comprado votos nas eleições de 2008, ocasionando o cancelamento daquele pleito. Os dois se elegeram, mas não puderam ser diplomados porque foram condenados em primeira e segunda instância da Justiça Eleitoral por ''captação ilícita de sufrágio''. Nova eleição foi realizada em 2010, ao custo de R$ 19,3 mil.
O procurador pede o ressarcimento integral dos custos da eleição suplementar para a União, que arcou com os gastos por meio da Justiça Eleitoral; R$ 50 para cada um dos 5.853 eleitores do município; R$ 100 para cada uma das 150 pessoas que trabalharam como mesárias e auxiliares da Justiça Eleitoral; e R$ 100 mil para cobrir ''danos extrapatrimonias difusos'', uma espécie de dano moral coletivo. O valor total da cobrança é de R$ 427 mil. Liminarmente, Martins requer o bloqueio de bens de Ligero e Brito até o limite de R$ 19,3 mil.
Para o Ministério Público Federal (MPF), além do ressarcimento, cabe indenização porque a repetição da eleição causou ''sofrimento, desconforto, transtornos e contratempos aos cidadãos''. ''Se o Judiciário concede indenização por danos morais em razão de atraso de vôos e de longa espera em filas de banco, não há como não a conceder quando o povo de um município inteiro, além de suportar o assédio, o tumulto e a poluição típicos de uma campanha eleitoral, ainda é forçado a comparecimento à seção - e algumas pessoas até a trabalhar gratuitamente - no domingo em que acontece a votação'', escreveu na ação.
A ação do procurador, a primeira do Paraná para responsabilizar candidatos cassados, está amparada em parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que em janeiro decidiu que a União cobraria todos os candidatos cassados que ensejaram a realização de uma nova disputa. Desde 2008, os eleitores de aproximadamente 180 municípios tiveram de voltar às urnas para substituir os prefeitos cassados. Os gastos com essas votações suplementares podem chegar a R$ 5 milhões.
Em Londrina, também houve eleição suplementar em março de 2009 e os custos foram de aproximadamente R$ 280 mil. O então candidato Antonio Belinati, vencedor do segundo turno, não pôde ser diplomado porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu registro dois dias após a votação, já que Belinati estava inelegível pela reprovação de contas pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná.

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