A força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal classificou como “fake news” a informação sobre troca de procuradores em audiência do caso em que o ex-presidente Lula foi condenado por corrupção no caso que ficou conhecido como “triplex”.

Em nota oficial enviada à imprensa nesta sexta-feira (21), a força-tarefa veio a público “repudiar notícia falsa sobre troca de procuradores” por meio de publicação que classifica como “rasa, equivocada e sem checagem dos fatos pelo blogueiro Reinaldo Azevedo”.

A notícia foi veiculada na noite desta quinta (20), por meio de seu blog no UOL e na rádio Band News FM, com base em diálogos obtidos pelo The Intercept Brasil e cedido ao jornalista. Pelos diálogos vazados, o procurador federal Deltan Dallagnol teria repassado ao também procurador Carlos Fernando do Santos Lima, pelo aplicativo Telegram, uma conversa que o então juiz Sérgio Moro critica o desempenho da procuradora Laura Tessler.

Ela acabou ausente no primeiro depoimento de Lula, que ocorreu dois meses após a suposta troca de mensagens. O MPF não quis se pronunciar na mesma noite.

Segundo a nota oficial, a procuradora da República Laura Tessler participou, na manhã de 13 de março 2017, de audiência em ação penal em que é acusado o ex-ministro Antônio Palocci. “Além de seguir realizando a audiência na tarde do mesmo dia, a procuradora participou de todas as subsequentes do caso, nos dias 14/03/2017, 15/03/2017, 21/03/2017, e 22/03/2017.”

O MPF diz que a “atuação firme, técnica e dedicada” de Lauta Tessler “contribuiu decisivamente para a condenação, somente nesse caso, de 13 réus acusados de corrupção e lavagem de dinheiro a mais de 90 anos de prisão, incluindo o ex-ministro Antônio Palocci”.

Tessler integra a Lava Jato desde 2015 e ainda é responsável por diversas investigações e ações criminais, segundo o MPF, “realizando todos os atos processuais necessários, incluindo audiências, contando com toda a confiança da força-tarefa na sua condução altamente profissional, cuidadosa e obstinada no combate à corrupção”.

“Ou seja, não houve qualquer alteração na sistemática de acompanhamento de ações penais por parte de membros da força-tarefa. Assim, os procuradores e procuradoras responsáveis pelo desenvolvimento de cada caso acompanharam as principais audiências até o interrogatório, não se cogitando em nenhum momento de substituição de membros, até porque todos vêm desenvolvendo seus trabalhos com profissionalismo, competência e seriedade”, segue a nota.

O MPF também ressalta que os procuradores da República Júlio Noronha e Roberson Pozzobon, que participaram do interrogatório de Lula em 11 de maio de 2017 na ação penal sobre o triplex no Guarujá, “foram os mesmos que estiveram presentes nas principais medidas investigatórias do caso em março de 2016, na oitiva do ex-presidente no aeroporto de Congonhas e na busca no Instituto Lula, na exposição pública do conteúdo da denúncia em 14/09/2016, e em 16 das 18 audiências judiciais do caso realizadas no ano de 2017”.

Para o MPF, a publicação de Reinaldo Azevedo é “desrespeitosa, mentirosa e sem contexto” e o jornalista “não realizou a devida apuração, que, por meio de simples consulta aos autos públicos acima mencionados, evitaria divulgar movimento fantasioso de troca de procuradores para ofender o trabalho e os integrantes da força-tarefa”.

A nota oficial considera que tanto o jornalista quanto o site “The Intercept Brasil” tentam criar uma “realidade inexistente para dar suporte a teses que favoreçam condenados por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato”.

“Para suas absurdas conclusões, o blogueiro usou material cuja autenticidade não foi confirmada, reforçando o aparente intuito de criar notícias às custas de publicações que distorcem supostas conversas entre autoridades, atacando o Sistema de Justiça e as instituições da República, na mesma linha do que verificado nos ataques cibernéticos. A suposta versão, que não resiste a uma mínima análise crítica diante dos fatos públicos, indica que a fábrica de narrativas político-partidárias baseadas em supostos diálogos sem autenticidade e integridade comprovadas somente leva à perda de credibilidade de quem delas se utiliza sem a devida apuração”, conclui a manifestação pública.

A reportagem tentou, se sucesso, contato com o jornalista e com a rádio Band News FM para repercutir a nota do MPF.

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