Brasília - O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar a atuação do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira na concessão de empréstimos e renegociação de dívidas do empresário Gregorio Marin Preciado.
Reportagem publicada ontem pela ‘‘Folha de S.Paulo’’ mostrou que Preciado foi beneficiado por ‘‘operações heterodoxas’’ e ‘‘atípicas’’ com o banco, das quais resultaram um abatimento de pelo menos R$ 73,71 milhões em suas dívidas.
A transação mais significativa a favor de Preciado foi a redução de uma dívida de R$ 61,38 milhões para R$ 4,11 milhões, em 1998, quando Ricardo Sérgio ainda era responsável pela área internacional do BB.
Preciado é casado com uma prima do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, e, até 1995, foi sócio do presidenciável em um terreno no bairro do Morumbi, em São Paulo.
A propriedade acabou sendo vendida em setembro daquele ano, dois meses depois de o BB ter tomado a decisão de pedir judicialmente a penhora do bem devido à inadimplência das empresas Gremafer e Aceto, que pertencem a Preciado.
‘‘Já tínhamos informações sobre a influência de Ricardo Sérgio nos negócios dos fundos de pensão, mas não de operação com o Banco do Brasil de uma forma específica e detalhada como essa’’, afirmou o procurador Luiz Francisco de Souza, do Ministério Público Federal em Brasília.
‘‘Vamos tentar ampliar a investigação para identificar em quais outros casos houve essa prática de usar dinheiro público em benefício privado.’’ Desde 1999, Luiz Francisco investiga se houve enriquecimento ilícito e improbidade administrativa no processo de privatização brasileiro. Hoje Ricardo Sérgio é o seu principal alvo.
Contra ele há denúncias – que começaram o ano passado, com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) – de que teria cobrado uma comissão de R$ 90 milhões para beneficiar com recursos da Previ (o fundo de pensão dos funcionários do BB) o empresário Carlos Jereissati na compra da Telemar.
Depoimento - Anteontem, Luiz Francisco recebeu informações do banco Opportunity, uma das empresas que participaram do processo de privatização de telefonia, por meio da engenheira Danielle Silbergleid Ninio. A representante do banco, segundo o procurador, informou que teriam existido ‘‘estranhos movimentos’’ da Previ na privatização da telefonia.
Segundo a emissária do Opportunity, no dia 16 de julho de 1998, a Previ teria firmado um acordo sigiloso com o banco para apoiá-lo, juntamente com os demais fundos de pensão, na privatização. Mas na reta final, a Previ acabou apoiando investidores aliados de Carlos Jereissati na compra da Telemar.
A engenheira informou a Luiz Francisco que o Opportunity entrou com uma ação contra a Previ por quebra de acordo e vazamento de informações sobre o leilão das telefônicas. Não foram feitas acusações diretas a Ricardo Sérgio.

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