Brasília Um dossiê em poder do Ministério Público Federal (MPF) mostra que a ligação de políticos e autoridades com o jogo do bicho e bingos não se restringe a Brasília e Rio de Janeiro. O documento, mantido em sigilo, e que foi a origem do escândalo que levou a demissão de Waldomiro Diniz, revela que o esquema de propinas e financiamento de campanhas começou por Goiânia e Distrito Federal, espalhando por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, durante os últimos quatro anos.
Depoimentos colhidos nos últimos dias por procuradores da República citam empresas e consórcios criados para controlar loterias estaduais, casas de bingo e jogo do bicho. Informações colhidas pelo MPF relacionam no caso investidores italianos, franceses, coreanos e até empresas de off-shore no Uruguai.
Uma informação que, conforme os investigadores, pode abrir uma nova frente de apuração, mostrando que Diniz pode não ser o único envolvido, mas apenas mais um deles. ''A denúncia feita contra Diniz e o documento que temos pode ser a ponta de um gigantesco icerbeg'', diz um procurador envolvido na apuração do caso.
Os investigadores estão mantendo sigilo, mas possuem uma relação com dezenas de empresas usadas como fachada para legalizar os jogos, muitas vezes servindo de fachada para o jogo do bicho. Uma delas, por exemplo, a Gerplan, congregava 12 bicheiros de Goiânia. A mesma firma era quem geria as loterias de Goiás e tinha como um dos sócios, Carlos Ramos, o Carlos Cachoeira, envolvido na denúncia de suposto recebimento de propina por Diniz. No Rio Grande do Sul, procuradores têm a informação de que uma empresa de limpeza de Goiás foi usada para gerir loterias.
Em depoimentos feitos a procuradores da República, duas pessoas ligadas à contravenção citaram a ligação de Diniz com o empresário de bingo Alejandro Ortiz. Um deles, Carlos Roberto Martins, informou ao MPF que o ex-assessor do Palácio do Planalto era o intermediador de Ortiz no governo e no Congresso. O empresário também teria ligação com grupos italianos. ''A ligação de Ortiz com a máfia se dá através de Lillo Lauricelia que era o investidor apresentado pelo grupo francês de François Philippedu, que permitiu seu ingresso nos negócios de caça-níqueis'', afirmou Martins no depoimento.
Se as informações dadas por Martins se confirmarem durante as investigações abertas pela Polícia Federal, a apuração poderá ganhar um novo rumo e trazer de volta casos e nomes citados no MPF há quase quatro anos. Em julho de 1998, por exemplo, a justiça italiana encaminhou às autoridades brasileiras pedido de busca de Lauricellia e um integrante do grupo Philippedu, que estariam morando em São Paulo ou Rio de Janeiro, onde Ortiz teria negócios.

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