O Ministério Público Federal (MPF) deverá abrir inquérito civil de improbidade administrativa contra o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. A informação foi dada ontem pelo procurador Bruno Acioli depois que a mulher de Lopes, Aracy Pugliese, admitiu ontem, em depoimento à Justiça Federal, ter atuado como testa-de-ferro do marido na Macrométrica, após ele ter deixado a gerência da empresa de consultoria para assumir o cargo de diretor de Política Monetária do BC.
‘‘No mínimo, significa falta de ética, principalmente quando a atividade fim dessa empresa era fiscalizada pelo Banco Central’’, disse Acioli, que irá encaminhar pedido de investigação aos procuradores da área cível do MPF. Em depoimento à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal, Aracy confessou que foi sócia da Macrométrica ‘‘apenas no papel’’, a pedido de Chico Lopes, e que nunca deu expediente na consultoria.
‘‘Nunca entendi de finanças, minha área sempre foi a de arte, de cultura’’, contou ela, que também não soube precisar quanto tempo ficou como sócia da Macrométrica. Além de Aracy, depuseram ontem na 6ª Vara Criminal o delegado Lourenço Martins Pompilho, que chefiou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal na casa de Lopes, em abril de 1999, e a geógrafa Elizabeth Negreiros Bragança, mulher de Sérgio Bragança, sócio de Lopes na Macrométrica e autor do bilhete no qual afirma ter depositado US$ 1,6 milhão numa conta no exterior para Chico Lopes.
O bilhete foi apreendido na casa de Lopes durante a operação da PF. Sérgio Bragança e Chico Lopes acompanharam a audiência na Justiça, mas apenas Lopes falou com jornalistas. Tanto Aracy quanto Elizabeth disseram desconhecer a existência do bilhete. Aracy disse que a única conta do marido no exterior foi aberta nos EUA, quando ele trabalhou na Universidade de Harvard.

mockup