O corregedor-geral do MPF (Ministério Público Federal), Oswaldo Barbosa, suspendeu a apuração sobre um outdoor com elogios à operação Lava Jato instalado próximo ao aeroporto de Curitiba, em março, apesar de o procurador Diogo Castor de Mattos, membro da força-tarefa, ter confessado ser responsável pela peça.

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. | Foto: Rafael Costa/Grupo Folha

A informação é de uma matéria publicada nesta segunda-feira (26) pelo site “The Intercept Brasil”, com base no arquivo da Vaza Jato.

As mensagens indicam que Barbosa foi informado sobre a confissão de Mattos e disse ao coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que suspenderia a apuração.

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) também arquivou um pedido de investigação que questionava possível violação ao princípio da impessoalidade na administração pública.

O outdoor foi instalado logo após a saída do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, no acesso a Curitiba. “Bem-vindo à República de Curitiba. Terra da Operação Lava Jato, a investigação que mudou o país. Aqui a lei se cumpre. 17 de março — 5 anos de Operação Lava Jato — O Brasil Agradece”, dizia a mensagem.

À época, a assessoria de imprensa do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) informou à FOLHA que a força-tarefa desconhecia o autor da homenagem e que não iria comentar ou tomar providências sobre o caso, que seria de responsabilidade de terceiros.

A Outdoor Mídia, empresa de locação de espaços para publicidade responsável pela instalação, também não forneceu informações sobre o autor do anúncio.

O pedido de providências ao CNMP foi feito pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP-FI) e assinado pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD).

A informação sobre o pagamento do outdoor por Mattos se tornou pública após a prisão de Walter Delgatti Neto, que assumiu o hackeamento de autoridades. O hacker contou à polícia, em julho, que teve acesso a conversas que relacionaram o afastamento do procurador ao caso, conforme noticiou o site da “Época”. O pedido de desligamento do procurador da força-tarefa — oficialmente por razões médicas —, foi divulgado em 5 de abril, sem menção aos motivos de sua saída.

Questionada sobre os fatos narrados pela reportagem e o caso do outdoor, a Corregedoria do MPF encaminhou à FOLHA, por meio da Secretaria de Comunicação, o mesmo comunicado enviado ao “The Intercept Brasil”. “Em se tratando de informação ou notícia de fato obtida ilicitamente mediante violação da garantia constitucional do sigilo das comunicações telefônicas ou telemáticas, a CMPF nada tem à responder sobre a solicitação de informações. Por outro, lado, ainda que a solicitação fosse proveniente de meio lícito, as informações estariam acobertadas por sigilo legal por força da LC 75/93.” A Assessoria de Comunicação do MPF-PR informou que a força-tarefa da Lava Jato não iria se manifestar.

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