O Ministério Público Eleitoral (MPE) sugeriu ontem que a Polícia Federal (PF) instaure inquérito para apurar se houve os crimes sequenciais de falsificação, utilização e distribuição de documentos públicos com finalidade eleitoral no episódio que gerou, semana passada, a apreensão de jornais de campanha de um candidato a vereador do PSDB. Na ocasião, quatro pessoas que distribuíam suposto encarte do jornal Correio Braziliense foram levadas à PF e ouvidas - o material trazia 19 reportagens e artigos sobre investigações que correm em Brasília a respeito do candidato do PDT à Prefeitura, deputado federal Barbosa Neto. A autoria da confecção e distribuição do impresso apreendido - cerca de 80 exemplares dos 5.000 feitos - foi assumida por Gustavo Castro, candidato a vereador pela coligação que tem o tucano Luiz Carlos Hauly na disputa pelo Executivo.
Em ofício remetido à Justiça Eleitoral no dia da apreensão, após tomar o depoimento de Castro e mais quatro supostos ''voluntários de campanha'', o delegado da PF, Gérson Machado, sugeria que o assunto fosse analisado com base nos base em artigos do Código de Processo Penal que dispõem sobre crime de falsificação de documentos públicos para fins eleitorais e estabelecem.
O caso foi distribuído para a 42 Zona Eleitoral, que coordena as eleições este ano em Londrina. O ofício com o parecer da promotora da 42, Solange Vicentin, chegou no final da tarde ao juiz Carlos Maurício Ferreira, que pode apreciar ainda hoje o caso, em despacho. ''O MPE teve notícia de crime e está pedindo providências à PF, no sentido de que algumas diligências sejam tomadas'', afirmou a promotora. Quais providências? ''Que seja instaurado um inquérito a fim de que as pessoas envolvidas sejam identificadas, indiciadas e pregressadas. Pedi inclusive que seja ouvido quem abordou os distribuidores desse material, pois nos parece que há casos de não policiais que participaram e depois não foram ouvidos (na PF)'', explicou. No dia da apreensão, a coligação de Barbosa distribuiu material à imprensa relatando que a abordagem à equipe de Castro foi feita por uma equipe do próprio pedetista, de manhã, na Avenida Celso Garcia Cid. Só na sequência o grupo acabou encaminhado à PF pela Polícia Militar).
Com oito páginas, datado de agosto de 2007, o suposto jornal traz o CNPJ da campanha de Castro e, segundo ele, lhe teria custado R$ 1,2 mil. Os textos elencados naquilo que o candidato nega se tratar de montagem foram publicados este ano pelo Correio Braziliense e trazem investigações das quais Barbosa é alvo, como supostos casos de enriquecimento ilícito, divisão de salários de assessores e contratação de funcionários fantasmas no gabinete do parlamentar.
O advogado do PSDB, Frederico Reis, afirmou que ''já era aguardada'' a manifestação do MPE pela instauração de inquérito. ''Se essa investigação for de fato iniciada pela PF, vamos conseguir provar que não houve alteração nem falsificação do documento'', defendeu.

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