Curitiba - O Ministério Público Eleitoral (MPE) informou ontem que apresentou 11 pedidos de impugnação de candidaturas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. Até o último dia do prazo, anteontem, o TRE recebeu um total de 22 pedidos de impugnação de candidaturas. Na lista do MPE, a Reportagem verificou que a contestação de seis dos 11 nomes tem relação com a Lei da Ficha Limpa, em vigor desde junho. É o caso dos candidatos na disputa proporcional Luiz Fernandes Litro (PSDB), Alessandro Meneghel (DEM), Carlos Roberto Scarpelini (PP), Alceni Guerra (DEM), Nedson Micheleti (PT) e Antonio Belinati (PP). Com exceção de Meneghel, que teve uma condenação criminal por decisão colegiada em 2002, os demais foram condenados em decisão colegiada por ato de improbidade administrativa.
Os outros cinco candidatos alvos do MPE - Bete Pavin (PMDB), Gilberto Martin (PMDB), Luiz Pereira (PSB), Antônio Ricardo dos Santos (PP) e Mario Vilas Boas Pescador (PT) - tiveram contas rejeitadas e, portanto, já estariam na mira do MPE mesmo antes da Lei da Ficha Limpa entrar em vigor. No caso de Belinati, além de duas condenações por improbidade administrativa, também há uma reprovação de contas referente a um convênio firmado em 1999 entre a Prefeitura de Londrina e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Essa decisão subsidiou a cassação do resultado da eleição municipal de 2008, na qual Belinati fora eleito.
Nedson foi enquadrado pelo MPE nos critérios da ''Ficha Limpa'' graças a uma decisão colegiada proferida em outubro do ano passado, na Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Nela, o ex-prefeito de Londrina (2001/2004 e 2005/2008) foi condenado por supostamente ter usado mais de R$ 314 mil dos cofres do Município em peças publicitárias que, ao invés de divulgar os atos da administração, teriam feito promoção pessoal e da gestão do petista à frente do Executivo. A campanha ''Londrina tá diferente'' foi lançada oficialmente, então no primeiro mandato, em uma choperia da cidade. A FOLHA tentou contato ontem com Nedson, mas ele não atendeu as ligações.
Ontem, o ex-secretário estadual da Saúde e candidato a deputado estadual pelo PMDB, Gilberto Martin, encaminhou nota à imprensa sobre o pedido de impugnação de sua candidatura. Ele explica que houve um ''erro administrativo'' na conta relativa a um convênio de R$ 101 mil estabelecido em 1994 entre a Prefeitura de Cambé e o Ministério da Saúde. Naquele ano, Martin era prefeito de Cambé e a conta do convênio foi reprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). ''Eu e meus advogados iremos recorrer para derrubar a impugnação e garantir minha candidatura'', acrescentou ele.
A assessoria de imprensa do TRE corrigiu ontem a informação sobre o número de pedidos de impugnação: são 22 candidatos alvos de pedidos de impugnação no total, um a menos do que o divulgado. O erro ocorreu porque o TRE registrou duas vezes o nome do candidato Antonio Ricardo dos Santos (PP). (Colaborou Janaina Garcia/ Reportagem Local)

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